Há cada vez mais alunos nas escolas mas muitos não aprendem
8 de jan. de 2025, 11:45
— Lusa/AO Online
Já são
poucos os alunos que não frequentam a escola e são cada vez menos
aqueles que reprovam, sublinha o relatório Estado da Educação 2023, divulgado, que mostra que o maior problema ainda é no ensino
secundário, onde um em cada dez alunos ainda fica para trás (9,8%).Apesar
de haver cada vez menos jovens fora da escola, “há percentagens
elevadas de alunos que não aprendem o que está previsto no currículo”,
alerta o presidente do CNE, Domingos Fernandes, apontando como
“particularmente preocupante e grave” a situação dos mais novos, que têm
demonstrado grandes dificuldades na escrita e na matemática.“O
país necessita de pôr em prática um programa especificamente orientado
para melhorar a qualidade do ensino e das aprendizagens nos primeiros
anos”, escreve o presidente do CNE, defendendo medidas que garantam a
formação inicial e contínua dos professores.Também
é preciso apostar na organização e funcionamento pedagógico das escolas
e em sistemas de apoio, de acompanhamento e avaliação, diz Domingos
Fernandes.“Não se pode deixar alunos pelo
caminho, não se pode desleixar os apoios diversificados de que os alunos
necessitam e não se pode excluir, sem mais nem menos, aqueles que
revelam dificuldades”, defende o presidente do CNE.A
criação de uma política apostada em melhorar o ensino e as
aprendizagens deve passar por “programas de formação inicial e contínua
de professores que tenham realmente em conta os conhecimentos e
competências que têm de ser desenvolvidas sobretudo no que se refere ao
conhecimento científico inerente à disciplina ou disciplinas que se
lecionam, ao conhecimento pedagógico, ao conhecimento do currículo e, em
geral, à inovação pedagógica”.O problema
também se sente no ensino superior e Domingos Fernandes considera
urgente “investir deliberada e consistentemente na melhoria dos
conhecimentos pedagógicos dos seus professores”.“É
necessário inovar nas práticas de ensino e de avaliação e criar
ambientes em que os estudantes sejam desafiados a pensar, a ser
autónomos, a exercitar o pensamento crítico e a criatividade e a serem
capazes de mobilizar, integrar e utilizar conhecimentos e competências
para resolver uma diversidade de problemas”, defende.O
relatório do CNE alerta também para a necessidade de continuar a
combater as desigualdades, que dependem do nível educativo dos pais, mas
também das regiões do país onde vivem os alunos ou, mais recentemente,
do seu local de nascimento.Os últimos
dados do Ministério da Educação apontavam para um aumento de 160% do
número de alunos migrantes em apenas cinco anos, chegando a cerca de 140
mil estudantes estrangeiros no passado ano letivo, o que representa 14%
dos alunos do ensino básico e secundário. A
maioria destes alunos chega às escolas sem saber falar português e são
“elevadas as taxas de retenção e desistência das crianças e jovens cujos
progenitores são estrangeiros”, o que aponta para “a necessidade de
ativação efetiva de medidas de inclusão e discriminação positiva”,
refere o estudo.O relatório alerta ainda
para a necessidade de se conhecer a “eficiência e eficácia
organizacional e pedagógica da disciplina de Português Língua Não
Materna (PLNM) e dos processos de acolhimento” nas escolas, considerando
que “só deste modo será possível agir de forma consistente e
sustentada”.Os investigadores pedem, por
isso, “informação sistematizada, baseada em indicadores estabilizados,
que permitam acompanhar taxas de cobertura e de frequência da disciplina
de PLNM”.