Guterres saúda regresso russo a acordo de cereais e tentará prolongá-lo
2 de nov. de 2022, 16:50
— Lusa/AOonline
Através do seu porta-voz,
Guterres agradeceu os esforços diplomáticos da Turquia, que fez a
mediação entre Moscovo e Kiev para a manutenção deste pacto, depois de o
Governo russo ter suspendido a sua participação nele em resposta a um
ataque com ‘drones’ (veículos aéreos não-tripulados) à sua frota militar
em Sebastopol, no sábado passado.Hoje, a
Rússia anunciou a reativação do acordo, depois de as autoridades
ucranianas lhe terem feito chegar garantias, através da ONU e de Ancara,
de que Kiev não utilizará o corredor de exportação de cereais para fins
militares.Tal permitirá retomar as
partidas dos navios carregados de cereais, no âmbito deste regime
acordado em julho e que, se não for renovado, expira no dia 19 deste
mês.As Nações Unidas andam há semanas a
tentar obter a anuência russa para prolongar a vigência do acordo a
longo prazo, mas Moscovo já pôs em dúvida a sua continuação, em várias
ocasiões.Guterres disse hoje que continua
em contacto com todas as partes para alcançar esse objetivo e indicou
que a ONU se mantém empenhada em eliminar todos os obstáculos com que
continuam a deparar-se as exportações russas de alimentos e
fertilizantes, uma das queixas de Moscovo.A
ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia
causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões
de deslocados internos e mais de 7,7 milhões para países europeus -, de
acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de
refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945).A invasão russa – justificada
pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de
“desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi
condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem
respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de
sanções políticas e económicas.A ONU
apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no
seu 252.º dia, 6.430 civis mortos e 9.865 feridos, sublinhando que
estes números estão muito aquém dos reais.