Guterres saúda acordo para proteção de civis e reitera apelo por cessar-fogo imediato
12 de mai. de 2023, 17:10
— Lusa
Em comunicado, a
porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Stéphane Dujarric,
indicou que Guterres continua a apelar por discussões ampliadas para
alcançar uma cessação permanente das hostilidades."O
secretário-geral saúda a assinatura pelas partes em conflito no Sudão
da Declaração de Compromisso para proteger os civis e garantir a
passagem segura da ajuda humanitária no país", diz a nota."Embora
os trabalhadores humanitários, principalmente os parceiros locais,
continuem a prestar serviços em circunstâncias muito difíceis, o
secretário-geral espera que esta Declaração de Compromisso assegure que a
operação de socorro possa ser ampliada com rapidez e segurança para
atender às necessidades de milhões de pessoas no Sudão", acrescentou.Ainda
de acordo com Dujarric, as Nações Unidas "não pouparão esforços" para
ajudar na implementação da Declaração e continuarão a fornecer ajuda
humanitária, em caso de cessar-fogo ou não.O
acordo, alcançado esta madrugada, descreve uma série de compromissos de
ambas as partes, que se comprometem a facilitar a ação humanitária a
fim de satisfazer as necessidades dos civis, mas não fornece quaisquer
pormenores sobre a forma como as promessas humanitárias acordadas serão
cumpridas pelas tropas no terreno.Em
momentos anteriores, as duas partes acordaram em suspender os
confrontos, mas com uma duração limitada e com acusações de ambas os
lados de incumprimento por parte da outra força militar.A
cerimónia de assinatura do acordo, mediada pelos Estados Unidos da
América e pela Arábia Saudita, foi transmitida pela imprensa estatal
saudita esta madrugada.O conflito no Sudão
opõe o exército e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF,
sigla em inglês), comandado pelo general Mohamed Hamdan Dagalo, e desde
15 de abril até à data, mais de 600 pessoas foram mortas nos combates,
mais de 150.000 fugiram do país e mais de 700.000 viram-se forçadas a
deslocar-se internamente.O Programa
Alimentar Mundial (PAM) admite que o conflito armado desencadeado no
Sudão pode levar a insegurança alimentar aguda no país a níveis recorde,
com mais de 19 milhões de pessoas afetadas, dois quintos da sua
população.Os combates eclodiram após
semanas de tensão sobre a reforma das forças de segurança nas
negociações para a formação de um novo governo de transição.Ambas as forças estiveram por trás do golpe que derrubou o executivo de transição do Sudão em outubro de 2021.