Guterres pede reabertura das passagens de fronteira para Gaza
Médio Oriente
Hoje 12:25
— Lusa/AO Online
"Dada a
capacidade de armazenamento limitada e a destruição em toda esta zona de
guerra, nós e os nossos parceiros estamos a trabalhar arduamente para
manter um fluxo de abastecimento sustentável e previsível, apesar das
restrições, mas isso não pode continuar com um bloqueio total. É
imperativo que todos os pontos de passagem sejam reabertos o mais
rapidamente possível", instou Stéphane Dujarric, em declarações à
imprensa.No sábado, Israel anunciou, como
medida de segurança, o encerramento dos pontos de passagem para Gaza,
incluindo a passagem de Rafah entre o Egito e o território palestiniano,
após o início dos ataques americanos e israelitas contra o Irão,
seguido por represálias iranianas."As autoridades israelitas fecharam todos os pontos de passagem, incluindo Rafah", insistiu Stéphane Dujarric.Também
"suspenderam as operações humanitárias dentro e ao redor das áreas onde
as tropas israelitas ainda estão posicionadas em Gaza", observou,
mencionando ainda o adiamento da rotação de equipas humanitárias,
evacuações médicas e o retorno de refugiados ao território."Nos
últimos dias, os nossos parceiros foram forçados a racionar
combustível, priorizar operações para salvar vidas, reduzindo as nossas
capacidades ao mesmo tempo em que os nossos ‘stocks’ diminuem", lamentou
o porta-voz de Guterres.Por sua vez,
o COGAT, órgão do exército israelita responsável por assuntos civis nos
territórios palestinianos, declarou hoje que reabrirá as passagens para a
Faixa de Gaza, fechadas desde sábado, "quando a situação de segurança
permitir", argumentando que a guerra com o Irão coloca em risco a vida
do pessoal que administra os pontos de acesso.A
agência declarou em comunicado que a medida, que também afeta os postos
de controlo na Cisjordânia ocupada, foi tomada em conformidade com o
estado de emergência nacional declarado devido à ameaça de mísseis no
contexto do conflito em curso.Segundo o
COGAT, as passagens não podem operar com segurança sob fogo, pois
abri-las nessas condições colocaria em risco a vida "de pessoas tanto do
lado israelita, quanto do lado de Gaza"."As passagens de fronteira serão reabertas assim que a situação de segurança permitir", indicou a agência israelita.O COGAT insistiu que esta "medida temporária" não afetará a situação humanitária na Faixa de Gaza.Segundo
o comunicado, desde o início do cessar-fogo no enclave palestiniano,
"dezenas de milhares de camiões carregados de ajuda humanitária"
entraram em Gaza, em volumes equivalentes a "quatro vezes as
necessidades nutricionais da população", informação que vem sendo
contestada pela ONU.Essas reservas, destacou a mesma fonte, devem durar "por algum tempo".O órgão também negou que Israel esteja a bloquear arbitrariamente a entrada de ajuda humanitária em Gaza."Ao
contrário das alegações originadas pelo Hamas e divulgadas por partes
interessadas que tentam criar a imagem de uma situação catastrófica na
Faixa de Gaza, Israel não está a bloquear arbitrariamente a ajuda a
Gaza", referiu. O COGAT acrescentou que
continuará a manter contacto constante com a comunidade internacional e
fornecerá atualizações sobre quaisquer novos desenvolvimentos.