Guterres pede que países assumam a responsabilidade pelos refugiados
17 de dez. de 2019, 17:14
— Lusa/AO Online
"É hora de responder de forma
mais justa às crises dos refugiados, compartilhando as
responsabilidades", disse hoje o secretário-geral da ONU, António
Guterres, na abertura do Fórum.Este evento
foi organizado nas Nações Unidas exatamente um ano após a adoção, em
Nova Iorque, de um Pacto Global sobre Refugiados, que deveria fornecer
uma resposta coletiva aos movimentos massivos dos deslocados.A questão da partilha da responsabilidade sobre os refugiados divide os países ricos e emergentes.Os
países pobres ou em desenvolvimento, que abrigam 80% dos refugiados do
mundo, dizem que são deixados a enfrentar sozinhos um fardo pesado para
as suas economias e as suas sociedades."A
comunidade internacional deve fazer muito mais para assumir essa
responsabilidade coletivamente", disse António Guterres, explicando às
autoridades reunidas em Genebra que "os países em desenvolvimento (…)
abrigam admiravelmente a grande maioria dos refugiados e precisam de
mais apoio"."Nós não somos completamente desprovidos", disse Guterres, pedindo uma resposta "coletiva" para essa questão.Com
um recorde de 71 milhões de deslocados em 2018, incluindo mais de 25
milhões de refugiados, "as perspetivas são sombrias", observou o Alto
Comissário o das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi.Grandi
também pediu à comunidade internacional que "não feche os olhos à
realidade" da crise dos refugiados, o que ajudaria aqueles que
"instrumentalizam" o seu destino "para fins políticos".Para
transformar as intenções das Nações Unidas em ação, Grandi aguarda,
acima de tudo, contribuições "financeiras", "assistência material" ou
até propostas de recolocação de refugiados.O
Global Refugee Forum, a decorrer até quarta-feira em Genebra, é
promovido pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) e
assinala, segundo a organização, o fim de uma “década tumultuosa” que
ficará marcada por um número recorde: mais de 25 milhões de pessoas no
mundo são refugiadas. Com a
co-organização da Suíça e a cooperação de cinco países (Costa Rica,
Etiópia, Alemanha, Paquistão e Turquia), este primeiro fórum global, que
contará com a presença de governantes, líderes da ONU, instituições
internacionais, organizações não-governamentais (ONG), empresas e
representantes da sociedade civil, teve na segunda-feira uma sessão
preparatória, estando previstas para hoje e para quarta-feira as sessões
de alto nível.Portugal está representado
pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e pela
secretária de Estado para a Integração e as Migrações, Cláudia Pereira.