Guterres pede paz contra a “erosão da confiança” no mundo
26 de nov. de 2024, 18:15
— Lusa/AO Online
“Precisamos
de paz, acima de tudo, de paz. Paz em Gaza, com um cessar-fogo
imediato, a libertação imediata e incondicional de todos os reféns, a
entrega eficaz e sem obstáculos de ajuda humanitária e o inicio de um
processo irreversível em rumo à solução dos dois Estados. Paz no Líbano
com a cessação das hostilidades imediatamente e a aplicação plena das
resoluções do conselho de segurança”, afirmou o secretário-geral durante
a cerimónia de abertura do 10º Fórum da UNAOC, em Cascais.Guterres
apelou ainda à paz na Ucrânia, “em conformidade com a carta das Nações
Unidas, o direito internacional e com as resoluções da Assembleia Geral”
e no Sudão, “com todas as partes a silenciarem as armas e a
empenharem-se num caminho para uma paz duradoura”.“Em
todo o lado é imperioso defender a carta das Nações Unidas e o direito
internacional, incluindo os princípios de soberania, de integridade
territorial e de independência politica de todos os Estados”, reiterou.Guterres
sublinhou ainda os “tempos muito difíceis” que o mundo enfrenta, cujo
tecido social se encontra “em acentuada pressão” devido a estratégias
cívicas que visam “semear divisões e ampliar fraturas nas sociedades”.“As
tensões aumentam em várias frentes. Os direitos humanos estão sob
ataque, a crise climática continua a agravar-se, sectarismos de várias
ordens proliferam, os conflitos e as guerras alimentam e acentuam cada
uma destas ameaças”, adiantou o secretário-geral da Organização das
Nações Unidas (ONU).Guterres alertou para
as consequências desta “ausência da paz”, que levam à “erosão da
confiança no sistema multilateral, nas sociedades e um no outro” e cuja
reconstrução deve ser feita não apenas através “dos Governos e das
instituições”, mas com “comunidades de confiança", incluindo
organizações de sociedade civil, comunidades marginalizadas, autoridades
locais e líderes religiosos”.O
secretário-geral sublinhou ainda os perigos associados à utilização da
tecnologia que perpetua “estereótipos e conceções erradas” que,
recorrendo à desinformação, alimentar o “antissemitismo repulsivo, a
intolerância muçulmana e ataques a comunidades de minorias cristãs.
Estas são as novas táticas dos novos media”.Quando
não são controladas, as plataformas digitais e a Inteligência
Artificial alimentam “o discurso de ódio a uma velocidade nunca antes
vista”, as piores vozes da humanidade são amplificadas e “muitas vezes
lidam à violência, através da proliferação de ‘deepfakes’ que tornam o
impossível e o inverificável credível num instante”, afirmou António
Guterres.Durante a cerimónia de abertura,
foram ainda oradores o Presidente da República portuguesa, Marcelo
Rebelo de Sousa, o Rei de Espanha, Felipe VI, o ministro dos Negócios
Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan e o alto representante para as
Nações Unidas, Miguel Ángel Morantinos.Este
ano, Cascais acolheu o 10º Fórum Global da Aliança das Civilizações das
Nações Unidas (UNAOC), que decorreu nos dias 26 e 27 de novembro, no
Centro de Congressos do Estoril, e contou com a presença do
Secretário-Geral da ONU, António Guterres, e de dezenas de ministros dos
Negócios Estrangeiros, altos funcionários de várias organizações
internacionais, bem como de vários ex-chefes de Estado e de Governo.O
fórum, que contará igualmente com a presença dos Chefes de Estado dos
oito países que organizaram fóruns anteriores, como a Espanha, a
Turquia, o Brasil, o Qatar, a Áustria, a Indonésia, o Azerbaijão e
Marrocos, comemora o 20.º aniversário da fundação da Aliança das
Civilizações e tem por objetivo fazer o balanço dos esforços realizados
ao longo das duas últimas décadas, com vista a planear o futuro da
iniciativa.