Guterres pede investigação e responsabilização após ataque a escola em Gaza
Médio Oriente
13 de set. de 2024, 10:49
— Lusa/AO Online
De
acordo com o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, entre as vítimas
do ataque à escola que servia como abrigo, em Nuseirat, estavam
crianças, mulheres e seis funcionários da UNRWA, a agência das Nações
Unidas para refugiados palestinianos."Este incidente eleva o número de funcionários da UNRWA mortos neste conflito para 220", sublinhou Dujarric em comunicado.As
Forças de Defesa de Israel justificaram que o ataque tinha como alvo um
centro de comando e controlo do Hamas que estava localizado naquele
complexo.Israel alegou ainda que pelo menos três dos funcionários da UNWRA mortos no ataque eram também combatentes do Hamas."Este incidente deve ser investigado de forma independente e completa para garantir a responsabilização", instou o líder da ONU."A
contínua falta de proteção eficaz para civis em Gaza é inconcebível.
Civis e a infraestrutura da qual dependem devem ser protegidos e as
necessidades essenciais dos civis atendidas", diz o comunicado.O
secretário-geral apelou a todas as partes para que se abstenham de usar
escolas, abrigos ou as áreas ao redor dos mesmos para fins militares,
recordando que todas as partes no conflito têm a obrigação de cumprir o
direito internacional humanitário em todos os momentos."O
secretário-geral reitera o seu apelo por um cessar-fogo imediato e pela
libertação imediata e incondicional de todos os reféns. Essa violência
horrível deve parar", conclui a nota.Depois
dos ataques do Hamas contra Israel em 07 de outubro, que fizeram cerca
de 1.200 mortos e 251 reféns, as autoridades israelitas promoveram uma
campanha difamatória contra a agência das Nações Unidas, que desde a
década de 1950 presta assistência aos palestinianos que perderam as suas
casas e meios de subsistência como resultado da criação do Estado de
Israel em 1948.À época da sua criação, a
agência atendia cerca de 750 mil pessoas. Hoje, cerca de 5,9 milhões são
elegíveis para solicitar ajuda da UNRWA, uma vez que os filhos de
homens palestinianos que viveram no território do Mandato Britânico da
Palestina entre 1946 e 1948 também têm o estatuto de refugiado.Entre
os seus serviços, a UNRWA gere mais de 200 escolas na Faixa de Gaza,
que desde o início da guerra, há mais de onze meses, serviram de refúgio
a centenas de milhares de palestinianos.O
Exército israelita ataca recorrentemente estes centros e acusa
frequentemente o Hamas de utilizar as suas instalações para esconder
armas, túneis ou centros de comando.Em
janeiro, as acusações israelitas foram mais longe, com Telavive a acusar
12 trabalhadores da UNRWA (em abril esse número subiu para 19) de terem
participado nos ataques de 07 de outubro, situação que levou muitos
países a suspenderem o seu financiamento à agência.Todos, exceto o principal aliado de Israel, os Estados Unidos, recuaram.Após
uma investigação que durou meses, o Departamento de Assuntos Internos
da ONU (OIOS) afirmou em agosto que, dos 19 acusados, nove podem ter
estado envolvidos nos ataques, embora tenha deixado claro que não tinha
conseguido verificar de forma independente a informação fornecida pelas
autoridades israelitas.O conflito na Faixa
de Gaza foi desencadeado por um ataque sem precedentes do Hamas em solo
Israelita, em 07 de outubro, onde deixou cerca de 1.200 mortos e levou
mais de duas centenas de reféns.Desde
então, Israel encetou uma ofensiva em grande escala no território
palestiniano, que já matou mais de 41 mil pessoas, na maioria civis de
acordo com as autoridades locais controladas pelo Hamas, além de ter
provocado um desastre humanitário e desestabilizado todo o Médio
Oriente.