Guterres pede ano de ação contra alterações climáticas, que já custam demais
19 de abr. de 2021, 17:49
— Lusa/AO Online
O
ex-primeiro ministro português defendeu que os países "devem agir agora
para proteger as suas populações dos efeitos desastrosos das alterações
climáticas" numa mensagem divulgada antes de uma cimeira climática com
líderes mundiais promovida pelos Estados Unidos.Guterres,
que falava na apresentação do relatório anual da Organização
Meteorológica Mundial (OMM), apontou que este ano será crucial, com a
agência meteorológica da ONU a referir que 2020 foi um dos três anos
mais quentes de que há registo e que não diminuiu a concentração de
gases de efeito de estufa na atmosfera apesar do abrandamento da
economia por causa dos confinamentos e da pandemia da covid-19.O
relatório da OMM mostra que 2020 foi "um ano de condições
meteorológicas extremas e de perturbações climáticas alimentadas pelas
alterações climáticas provocadas pela atividade humana", considerou.Na
cimeira convocada pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, para
quinta e sexta-feira, quarenta dirigentes mundiais foram convidados para
participar virtualmente e tentar aumentar os esforços das principais
economias para atenderem ao que a ONU classifica como uma emergência
climática mundial.Guterres, que aponta
para a conferência das partes marcada para o fim do ano em que os países
deverão rever os compromissos assumidos no Acordo de Paris para conter o
aquecimento global celebrado em 2015, defende que "os países devem
comprometer-se a ser carbonicamente neutros até 2050", avisando que "o
tempo escasseia para atingir os objetivos" do compromisso de 2015.O
Acordo de Paris prevê um travão ao aquecimento global até ao fim do
século para manter o aumento da temperatura global abaixo dos dois graus
em relação à era pré-industrial, preferencialmente 1,5 graus, mas a OMM
afirma que há 20 por cento de probabilidade de a temperatura média
mundial aumentar 1,5 graus já em 2024.O
diretor da OMM, Petteri Taalas, afirmou que "todos os indicadores
climáticos evidenciam o caráter duradouro e implacável das alterações
climáticas, o aumento do número e intensidade dos fenómenos extremos e
os grandes prejuízos que afetam indivíduos, sociedades e economias".