Guterres pede "acesso seguro e irrestrito" de agência nuclear da ONU
29 de mar. de 2022, 17:57
— Lusa/AO online
"O
seu importante trabalho não deve ser interferido. Um acidente numa
central nuclear seria uma catástrofe sanitária e ambiental. Todos os
esforços devem ser feitos para evitar este resultado desastroso", apelou
Guterres, citado num comunicado divulgado pelo seu porta-voz, Stéphane
Dujarric.Ainda
de acordo com Dujarric, o secretário-geral falou na segunda-feira com o
diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, sobre a sua missão de ajudar numa
operação segura das instalações nucleares da Ucrânia."O
secretário-geral reitera o seu forte apoio aos esforços da AIEA e pede
que o pessoal da AIEA na Ucrânia tenha acesso seguro e irrestrito a
todas as instalações nucleares", acrescentou o porta-voz.A
agência para o nuclear da ONU indicou hoje que o seu diretor-geral
chegou à Ucrânia, onde discutirá com responsáveis do Governo a
disponibilização de “assistência técnica urgente” para garantir a
segurança das instalações nucleares do país.A
AIEA indicou que o objetivo de Rafael Grossi é dar início imediato ao
“apoio de segurança e proteção” das instalações nucleares ucranianas, o
que incluirá o envio de especialistas da agência para os “locais
prioritários” e de material vital “de segurança e proteção”, incluindo
equipamento de vigilância e de emergência.Adiantou que Grossi se deslocará esta semana a uma das centrais nucleares da Ucrânia, mas não precisou qual.A
Ucrânia tem 15 reatores nucleares e quatro centrais nucleares ativas,
além da central desativada de Chernobil, palco do desastre nuclear de
1986.As forças russas controlam Chernobil e a maior central nuclear da Europa, em Zaporijia.“O
conflito militar coloca as centrais nucleares da Ucrânia e outras
instalações com material radioativo num perigo sem precedentes”, disse
Grossi num comunicado.“Já se esteve várias vezes por um triz. Não podemos perder mais tempo”, adiantou o diretor-geral da AIEA.A
Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que
matou pelo menos 1.179 civis, incluindo 104 crianças, e feriu 1.860,
entre os quais 134 crianças, segundo os mais recentes dados da ONU, que
alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito
maior.A
guerra provocou a fuga de mais de 10 milhões de pessoas, incluindo mais
de 3,9 milhões de refugiados em países vizinhos e quase 6,5 milhões de
deslocados internos.A
invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade
internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o
reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.