Guterres nomeia Stefan de Mistura como enviado especial da ONU para Saara Ocidental
6 de out. de 2021, 17:32
— Lusa/AO Online
A
nomeação de De Mistura ocorre depois de as autoridades marroquinas e
saarauís terem dado a sua aprovação à proposta do secretário-geral."O
novo enviado pessoal propiciará bons funcionários em nome do
secretário-geral, trabalhará com todos os interlocutores relevantes,
incluindo partidos, países vizinhos e outras partes interessadas", disse o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.Dujarric
lembrou que, para o secretário-geral da ONU, os "firmes e intensos"
esforços de Köhler "lançaram as bases para um novo impulso no processo
político", que está estagnado há vários anos.O porta-voz também sublinhou que o novo enviado pessoal tem “várias décadas de experiência em diplomacia e assuntos políticos".De
Mistura já foi enviado pessoal do secretário-geral para o conflito na
Síria, cargo que ocupou entre 2014 e 2019, depois de ter sido
representante especial do diretor executivo da ONU para o Afeganistão e
Iraque e de ter trabalhado no sul do Líbano como representante das
Nações Unidas, entre outros cargos dentro da organização multinacional.O
Governo marroquino manifestou, no passado mês, o seu acordo à nomeação
do diplomata e indicou que a sua aceitação emanava da sua confiança nos
esforços de Guterres para chegar a uma solução "política, realista,
duradoura e consensual" para o conflito na região.O
plano da ONU para resolver o problema no Saara Ocidental passa por um
referendo de autodeterminação para o povo saarauí, ao qual Rabat se opõe
frontalmente, propondo a autonomia sob soberania marroquina como única
alternativa.Köhler
renunciou ao cargo em maio de 2019 sem ter sido capaz de alterar as
posições irreconciliáveis de Marrocos e da Frente Polisário para o Saara
Ocidental, nem mesmo nas duas rondas de negociações que o alemão
liderou em Genebra, em 2018 e 2019.No
final das negociações frustradas, Marrocos deixou claro que não
pretendia regressar a uma eventual mesa de negociações se não
participasse na conversa – e não com mero estatuto de observador - o
outro país com interesses na área, a Argélia, que acolhe os campos de
refugiados de Tinduf.