Guterres insta Israel a reverter registo de terras na Cisjordânia
Médio Oriente
Hoje 17:32
— Lusa/AO Online
"A decisão poderá levar à
expropriação de propriedades palestinianas e arrisca expandir o controlo
israelita sobre as terras na área. Tais medidas, incluindo a presença
contínua de Israel no Território Palestiniano Ocupado, não são apenas
desestabilizadoras, mas, como lembrou o Tribunal Internacional de
Justiça, ilegais", indicou o porta-voz de António Guterres, Stéphane
Dujarric, em comunicado.Guterres instou
Telavive a "reverter imediatamente" essas medidas e advertiu novamente
que a atual trajetória no terreno está a corroer a perspetiva de uma
solução de dois Estados."O
secretário-geral reitera que todos os colonatos judaicos na Cisjordânia
ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, e o regime a eles associado, não
têm qualquer validade jurídica e violam flagrantemente o direito
internacional e as resoluções relevantes da ONU", insistiu Dujarric.O
líder da ONU apelou ainda para a preservação do "único caminho para uma
paz duradoura: uma solução negociada de dois Estados, em conformidade
com as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança e o direito
internacional".No domingo, o Governo
israelita aprovou a reabertura do processo de registo de terras na
Cisjordânia ocupada pela primeira vez desde 1967, o que permitirá a
Telavive registar terras neste território palestiniano de forma
vinculativa e definitiva.A iniciativa foi
apresentada pelo ministro das Finanças e líder ultranacionalista,
Bezalel Smotrich, pelo ministro da Justiça, Yariv Levin, e pelo ministro
da Defesa, Israel Katz, com a intenção de regular as propriedades
agrícolas e esclarecer o estado das áreas ocupadas na Cisjordânia, um
processo burocrático cuja complexidade levou Israel a abandoná-lo há
décadas.De acordo com a emissora pública
israelita KAN, a decisão foi tomada em retaliação pelos "procedimentos
ilegais de colonização que a Autoridade Palestiniana está a promover na
Área C" da Cisjordânia, que está sob controlo administrativo e de
segurança exclusivo de Israel.Na
sequência, o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas,
denunciou o que considera "uma anexação de facto do território
palestiniano ocupado"."Trata-se de uma
ameaça à segurança e à estabilidade, uma escalada perigosa e uma
violação flagrante do direito internacional e das resoluções
internacionalmente reconhecidas", condenou a Presidência palestiniana
num comunicado divulgado pela agência noticiosa oficial WAFA.E
prosseguiu: "Estas medidas unilaterais não conferirão qualquer
legitimidade à ocupação do território do Estado da Palestina e não
alterarão o facto jurídico e histórico de que a Cisjordânia, incluindo
Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza, é território palestiniano ocupado,
de acordo com o direito internacional e a legitimidade internacional".