Guterres exorta a que se assuma compromisso de defender direitos humanos
19 de jul. de 2024, 15:43
— Lusa/AO Online
“Assumamos o
compromisso de defender os direitos humanos e a dignidade para todos e
de combater a discriminação, a intolerância e o ódio quando iam de
surgirem”, incitou.A mensagem foi deixada
num vídeo exibido durante a cerimónia de inauguração da Casa Museu de
Aristides Sousa Mendes, em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do
Sal, distrito de Viseu, onde marcou presença o Presidente da República,
Marcelo Rebelo de Sousa.“A inauguração do
Museu acontece num momento crucial, porque hoje o nosso mundo é perigoso
e está dividido. O número de pessoas forçadas a abandonar as suas casas
atingiu um nível recorde”, referiu.António
Guterres aludiu ainda ao frequento ódio e intolerância, bem como ao
antissemitismo, anti-islamismo e ataques contra cristãos e outros
grupos.“Corremos o risco de esquecer a
nossa humanidade partilhada”, alertou, apontando o exemplo de Aristides
de Sousa Mendes, o cônsul de Bordéus que passou milhares de vistos para
que judeus pudessem entrar em Portugal, desrespeitando uma ordem direta
do seu governo.“Deixemo-nos inspirar pela
sua memória, ganhemos coragem com o exemplo da sua bravura. Aristides de
Sousa Mendes foi um bastião de coragem, de compaixão e de convicção, no
mundo em total colapso moral”, acrescentou.Ao
longo da sua intervenção, António Guterres recordou que o diplomata se
viu perante uma escolha difícil: seguir as ordens do seu governo ou
salvar vidas.“Escolheu salvar vidas. Com a
chegada evidente dos nazis a Bordéus, Aristides de Sousa Mendes sabia
que não tinha tempo a perder e ignorou a infame 'Circular 14' do seu
governo, que negava vistos de passagem segura de refugiados para
Portugal e que designava explicitamente refugiados judeus”, indicou.Trabalhando
dia e noite, Aristides de Sousa Mendes estabeleceu "um sistema rápido
para carimbar e assinar passaportes e emitir vistos que salvaram vidas".“Para
poupar tempo e emitir mais vistos, a sua assinatura foi ficando cada
vez mais curta: de Aristides de Sousa Mendes para Sousa Mendes, para
simplesmente Mendes. Ao longo de algumas noites sem dormir, emitiu
milhares de vistos”, evidenciou.Para
António Guterres, o legado de Aristides de Sousa Mendes consiste em
“vidas salvas e vidas vividas”, incluindo a de uma jovem que, anos mais
tarde, se tornaria a mãe do seu próprio porta-voz nas Nações Unidas.“Pelo
seu lado extraordinário, Aristides de Sousa Mendes foi pessoalmente
repreendido pelo ditador António de Oliveira Salazar e expulso do corpo
diplomático sem qualquer pensão. Aristides de Sousa Mendes morreu na
pobreza, mas nas décadas seguintes, a magnitude e a bravura das suas
ações foram gradualmente reconhecidas e foram tomadas medidas para
corrigir as injustiças de que foi alvo”, concluiu.