Guterres defende mudanças no modelo de negócio das redes sociais
18 de jan. de 2023, 16:08
— Lusa
“Os modelos de negócio das
redes sociais são construídos de uma forma que tendem a expandir as
informações, as posições, os ideais mais extremos, mais controversos,
que criam mais problemas”, afirmou hoje António Guterres no Fórum
Económico Mundial, que decorre em Davos, na Suíça.“A
solução não passa pela censura, mas por redesenhar o modelo de negócio e
por redesenhar os algoritmos para que o lucro não tenha como base o
mal”, defendeu o secretário-geral das Nações Unidas.Lamentando
que as plataformas das redes sociais não sejam responsabilizadas por
aquilo que é difundido, Guterres defendeu que, tal como acontece na
comunicação social tradicional, as empresas devem passar a responder por
aquilo que é divulgado.“Nos ‘media’
tradicionais, se uma pessoa for atacada erradamente há a possibilidade
de ir a tribunal. Nas redes sociais não há responsabilização”, referiu.Embora
o secretário-geral da ONU admita entender o argumento das empresas de
redes sociais, “que dizem que [a informação] é colocada pelas pessoas e
por isso não podem ser responsabilizadas”, Guterres sublinhou que “os
algoritmos estão feitos de forma a amplificar certos temas” de forma
preferencial.“Quando o algoritmo
amplifica, há uma responsabilidade e deve haver responsabilização,
incluindo legal”, defendeu, acrescentando que isso é mais premente ainda
quando se trata de “falsa informação ou difamação”.Ainda
assim, o líder da ONU considerou que as redes sociais permitem
“contribuições fantásticas para as causas humanitárias mais nobres”.O
problema, disse, é que o modelo de negócio se baseia no objetivo de
“ter o maior número de interações possível e chegar ao maior número de
pessoas possível”.Os líderes mundiais de
vários países estão reunidos em Davos desde terça-feira para o 53º Fórum
Económico Mundial, onde, até sábado, serão debatidos temas das áreas de
economia e ambiente.