Guterres alerta que situação pode sair do controlo e pede negociações sérias
Irão
6 de mar. de 2026, 18:39
— Lusa/AO Online
"Todos os
ataques ilegais no Médio Oriente e noutras regiões estão a causar imenso
sofrimento e danos a civis em toda a região e representam um grave
risco para a economia global, particularmente para as pessoas mais
vulneráveis", afirmou hoje o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.Numa
conferência de imprensa na sede da ONU em Nova Iorque, e falando em
nome de Guterres, Dujarric avisou que a "situação pode sair do controlo
de qualquer pessoa" e salientou que as "consequências não podiam ser
mais graves"."É tempo de parar os combates
e iniciar negociações diplomáticas sérias", insistiu, referindo-se aos
combates entre os Estados Unidos, Israel e Irão, em curso desde sábado e
que já se alastraram a outros países da região.Questionado
sobre como é que a situação poderia ficar ainda mais fora de controlo, o
porta-voz de Guterres afirmou "não ser preciso muita imaginação para
ver como a situação pode piorar ainda mais".Dujarric
referiu ameaças à unidade de Estados-membros, o sofrimento contínuo dos
civis, e também a deterioração da situação em torno do Estreito de
Ormuz - por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial - e o
impacto que isso terá globalmente."Estamos
já a assistir a um aumento dos preços do petróleo e ao impacto que isso
terá, dada a nossa contínua dependência dos combustíveis fósseis. (...)
Só podemos imaginar o aumento dos preços da energia, nos transportes,
na produção de alimentos, nos fertilizantes. Infelizmente, a situação
pode piorar muito", assegurou, argumentando que a única forma de
resolver esta escalada é através de negociações.Os
Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar
contra o Irão, alegadamente motivado pela inflexibilidade do seu regime
político nas negociações sobre o enriquecimento de urânio, no âmbito do
seu programa nuclear, que afirmavam destinar-se apenas a fins civis.Em
retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra
alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em
países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos,
Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre e na Turquia.Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.