Guterres adverte EUA, Israel e Teerão que "já passou da hora" de parar guerra
Irão
Hoje 15:11
— Lusa/AO Online
"Precisamos
de encontrar uma saída pacífica. A minha mensagem é clara: aos Estados
Unidos e a Israel, já passou da hora de parar a guerra que está a causar
imenso sofrimento humano e está já a desencadear consequências
económicas devastadoras", disse Guterres numa declaração à imprensa na
sede da ONU, em Nova Iorque."Ao Irão: que
deixe de atacar os seus vizinhos. O Conselho de Segurança condenou estes
ataques e reafirmou a necessidade de respeitar os direitos e liberdades
de navegação ao longo de rotas marítimas críticas, incluindo o Estreito
de Ormuz", insistiu o líder das Nações Unidas.O
antigo primeiro-ministro português sublinhou que os conflitos não
terminam sozinhos, mas sim quando os líderes escolhem o diálogo em vez
da destruição."Essa escolha ainda existe. E precisa de ser feita agora", defendeu.Guterres
notou que cada dia que passa, o sofrimento humano associado a esta
guerra só aumenta, assim como não para de crescer a escala da
devastação, os ataques indiscriminados, os ataques contra civis e
infraestruturas civis aumentam e os perigos para o mundo também.O
secretário-geral afirmou que se está "à beira de uma guerra mais ampla
que engolfaria todo o Médio Oriente, com impactos dramáticos em todo o
mundo", frisando que o conflito já se faz sentir em todos os lugares do
planeta.Deu como exemplo o impacto do bloqueio do Estreito de Ormuz, que está a ter impacto direto nos mais pobres e vulneráveis."Vemos
isso no dia-a-dia das pessoas que lutam contra o aumento dos custos dos
alimentos e da energia, desde as Filipinas ao Sri Lanka, a Moçambique, a
comunidades muito além", disse."Muitos
aspetos do conflito podem ser incertos, mas uma coisa é certa: Se os
tambores da guerra continuarem a soar, a escalada só irá piorar a
situação. A espiral de morte e destruição tem de parar", apelou.Guterres
recordou que estão em curso esforços diplomáticos para encontrar um
caminho pacífico para esta guerra, iniciada em 28 de fevereiro com os
ataques de Washington e Telavive contra o Irão.O
líder da ONU reforçou que esses esforços diplomáticos merecem o espaço e
o apoio necessários para serem bem-sucedidos, insistindo que devem
estar firmemente ancorados no direito internacional, incluindo na Carta
da ONU."A soberania e a integridade
territorial de todos os Estados-membros devem ser respeitadas. Os civis e
as infraestruturas civis, incluindo as instalações nucleares, devem ser
respeitados e protegidos. E a liberdade de navegação deve ser mantida",
declarou.O chefe das Nações Unidas
assumiu manter contacto próximo com as partes em conflito e está a
enviar para a região o seu enviado pessoal, Jean Arnault, para apoiar os
esforços de mediação.