Gulbenkian e INSA assinam protocolo para continuar a estudar o vírus

Covid-19

21 de jul. de 2021, 15:10 — Lusa/AO Online

“É a continuação de um namoro antigo que agora se consuma numa espécie de casamento”. Foi assim que o presidente do Conselho Diretivo do INSA, Fernando de Almeida, descreveu o novo protocolo.A colaboração entre as duas instituições não é uma novidade e desde abril de 2020, praticamente no início da pandemia, que a FCG e o INSA colaboram no estudo da diversidade genética do coronavírus, responsável pela Covid-19, mas só agora esse trabalho conjunto é formalizado.“Para conhecer a diversidade genética do novo coronavírus, para combater a sua propagação, o IGC (Instituto Gulbenkian de Ciência) e o INSA, desde o ano passado que colaboram na sequenciação do vírus e na identificação das suas mutações”, referiu a presidente do Conselho de Administração da FCG, Isabel Mota, durante a cerimónia na Fundação, em Lisboa.Ao longo desse período, o IGC analisou cerca de duas mil amostras, entre as mais de 12 mil sequenciações recolhidas pelo INSA e é, em parte, esse trabalho que vai ser continuado, mas não se esgota aí.Além da diversidade genética do SARS-CoV-2, as duas instituições vão também colaborar em estudos sobre a resposta do sistema imunitário a esse vírus e, nesse âmbito, o IGC está desde dezembro de 2020 a acompanhar cerca de 1.800 pessoas vacinadas, dados que serão, depois, integrados numa amostra mais alargada do INSA.Por outro lado, o protocolo prevê ainda o desenvolvimento de outras iniciativas de caráter científico e clínico, por exemplo, na identificação, proteção e potencial exploração de inovações tecnológicas e de conhecimento científico, na formação pós-graduada e em estágios, e na publicação de trabalhos científicosTudo isto, considerou Isabel Mota, “são tópicos críticos para a investigação” e os resultados que vão sendo descobertos “são fundamentais para o sucesso das políticas de saúde”.Da parte do INSA, o protocolo que foi hoje assinado é o “desenrolar natural” de mais de um ano de colaboração e um exemplo de como essa cooperação entre instituições é essencial.“Desengane-se quem quer vencer esta pandemia, ou qualquer outra dificuldade, sozinho”, sublinhou o presidente do Conselho Diretivo, Fernando de Almeida, partilhando da visão de Isabel Mota.“Este caminho só se faz se houver colaboração entre os vários institutos, não há outra forma”, tinha afirmando a presidente da FCG, acrescentando que esse trabalho é particularmente importante “num país que tem boas instituições de saúde, mas cuja dimensão não é muito grande”, como é o caso de Portugal.O Governo também esteve representado na cerimónia e para o secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, a forma como as duas instituições se juntaram é exemplo do tipo de cooperação que espera continuar a ver.“Esta capacidade de as instituições trabalharem juntas num contexto de crise como foi a pandemia é algo que permitiu vencer esta crise da forma como foi feita e é algo que queremos que se mantenha para o futuro”, afirmou.E as implicações dessa cooperação não se esgotam no mero conhecimento científico, acrescentou, considerando que daí decorre também “uma melhor capacidade de ter políticas públicas que permitam chegar às pessoas e combater melhor a pandemia”.