Gueterres pede cessar-fogo imediato no norte da Etiópia

Hoje 12:00 — Lusa

Guterres expressou “profunda preocupação” com os combates no norte da Etiópia e pediu que as partes cessassem as hostilidades de imediato, disse o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, num comunicado divulgado pelo escritório da ONU em Adis Abeba.O chefe da ONU defendeu o diálogo no âmbito do Acordo de Pretória, que pôs fim à guerra que assolou a região do Tigrai entre 2020 e 2022, em que morreram 600 mil pessoas.Alertou também para os riscos de “uma escalada que comprometa ainda mais a estabilidade” na região do Corno de África, manifestando preocupação face a “informações sobre a presença de forças eritreias na Etiópia”.Recordou aos países da região a obrigação de se “absterem de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado”.Referiu também a obrigação de “respeitarem o princípio da não-ingerência nos assuntos internos”, ao abrigo da Carta das Nações Unidas.O antigo primeiro-ministro português apelou ainda a todos os países com influência sobre as partes envolvidas no conflito para que a utilizem no sentido de “favorecer o abrandamento da tensão”.Pediu igualmente que se abstenham de qualquer ação que possa “alimentar o conflito”, acrescentou o porta-voz no comunicado, citado pela agência espanhola EFE.A Eritreia rejeitou na sexta-feira acusações de agressão da vizinha Etiópia e culpou Adis Abeba de lançar “uma guerra de agressão não provocada” contra Asmara, no meio de receios de um conflito regional.O ministro dos Negócios Estrangeiros da Etiópia, Gedion Timothewos, exigiu na quinta-feira a “retirada imediata” do território do Tigrai das tropas da Eritreia.A Etiópia acusa a Eritreia de apoiar os rebeldes da Frente Popular de Libertação do Tigrai (FPLT).As Forças de Paz do Tigrai (FPT), milícia formada por dissidentes da FPLT e aliada do exército etíope, denunciaram a entrada de tropas eritreias na região.A Eritreia e a Etiópia cortaram relações em 01 de outubro, num aumento de tensões alimentado pelas ambições de Adis Abeba de recuperar o acesso ao mar Vermelho, segundo a EFE.A Etiópia também acusa Asmara de dar apoio financeiro a grupos rebeldes etíopes, o que é negado pelo Governo eritreu.A situação é agravada pela formação de uma aliança de sete grupos rebeldes e da oposição, que inclui a FPLT, para derrubar o Governo etíope.Estes desenvolvimentos reavivam os receios da eclosão de uma nova guerra semelhante à de 2020-2022, em que a Eritreia apoiou a Etiópia contra a FPLT.Situada no norte da Etiópia, a região do Tigrai faz fronteira com a Eritreia, ao norte, e com o Sudão, a oeste.