Guardas prisionais pedem demissão de diretor-geral das cadeias
2 de out. de 2017, 16:14
— Lusa/AO online
Durante uma vigília realizada diante do
Estabelecimento Prisional de Lisboa (EPL), o presidente do Sindicato
Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), Jorge Alves, considerou
que Celso Manata "não está a respeitar" os guardas, ao querer mudar o
estatuto e o horário da classe sem ouvir a opinião de quem trabalha no
setor. "Há uma enorme dificuldade em aplicar o horário que
querem impor nas cadeias", disse Jorge Alves, acrescentando que, na
maior parte das prisões, a sua aplicação é "impossível". Além disso,
sustenta que a mudança de horário irá afetar a qualidade e o equilíbrio
do serviço prestado pelos guardas. Fontes ligadas aos serviços
prisionais disseram à Lusa que existe a intenção de colocar, finalmente,
os guardas a trabalhar oito horas por turno e não 24 horas seguidas, o
que implicava a concessão de vários dias seguidos de descanso. Este
sistema permitia que, nesses dias de descanso os guardas prisionais
pudessem exercer outras profissões. Segundo o presidente do
SNCGP, o regulamento do estatuto profissional "não é como o
diretor-geral quer", alegando que Celso Manata não pode pôr em causa a
"dignidade" dos guardas prisionais, que, caso o assunto não seja
resolvido, irão prosseguir com as manifestações. Jorge Alves
assegurou que estão agendadas greves para outubro e início de novembro,
não estando excluídas novas vigílias diante do Ministério da Justiça e
da residência oficial do primeiro-ministro, António Costa. A
última reunião que o sindicato manteve com a secretária de Estado da
Justiça ocorreu a 29 de agosto, tendo na altura o sindicato advertido
das formas de luta que ia adotar caso o problema não fosse resolvido
pela tutela. Na vigília de hoje, os manifestantes contestaram
ainda aquilo que consideram ser "a atitude autoritária, intimidatória e
violadora da privacidade que o diretor-geral das prisões usa contra os
profissionais do corpo da guarda prisional", ao trazer para a opinião
pública aspetos da vida privada e laboral destes profissionais. "Demissão,
demissão, demissão" foram as palavras mais ouvidas nesta manifestação,
em que os guardas prisionais empunharam também bandeiras e cartazes de
protesto contra a política seguida pela Direção-Geral dos Serviços
Prisionais. "Procura-se pessoa competente para cargo importante" e
"Dignificação da carreira do corpo da guarda prisional/melhores
condições de trabalho e segurança" eram frases que podiam ler-se em
alguns cartazes. O protesto levou ao corte de uma das faixas de
rodagem na rua Marquês de Fronteira, tendo a PSP colocado barreiras
metálicas e montado um forte aparato policial.