Guardas prisionais iniciam hoje uma greve que direção-geral alega ser ilegal
20 de set. de 2019, 08:36
— Lusa/AO Online
A Direção-Geral de Reinserção e Serviços
Prisionais (DGRSP) considera que a greve dos guardas prisionais não
cumpre os requisitos legais, podendo os profissionais ser alvo de faltas
injustificadas. Sustenta a DGRSP que não foi cumprida a antecedência
mínima de 10 dias úteis exigidos (…) pela Lei Geral do Trabalho em
Funções Públicas”.Prevendo-se “uma greve
ilícita, a DGRSP apela a todos os trabalhadores para que,
responsavelmente, observem os deveres a que estão adstritos, de forma a
garantir o normal exercício das funções e tarefas”, lê-se no despacho do
diretor da DGRSP, Rómulo Augusto Mateus, enviado a todos os diretores
das cadeias.Para Jorge Alves, do Sindicato
Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), a reação da DGRSP é
“inédita" e "abusiva" e pode estar relacionada com a proximidade da data
das eleições legislativas de 06 de outubro. Considerou ainda que o
despacho visa amedrontar o pessoal da guarda prisional e evitar o
protesto nas cadeias."É a primeira vez na
história do sindicato da guarda prisional que isto acontece", disse
Jorge Alves à Lusa, lamentando que a DGRSP tenha recusado negociar os
serviços mínimos e aceitar a greve dos guardas como um direito
consagrado na Constituição.Apesar de todas
as consequências contidas no despacho, o SNCGP mantém a greve, das
16:00 de sexta-feira até às 09:00 de segunda-feira, e os guardas não
irão cumprir serviços mínimos porque estes não foram determinados.
Contudo, refere o sindicato, os guardas não deixarão de acatar as ordens
superiores, não pondo em risco a segurança do sistema prisional.