Guardas prisionais defendem diretor e criticam sindicato no caso do recluso hospitalizado
7 de mai. de 2025, 09:02
— Lusa/AO Online
O
abaixo-assinado, datado de 2 de maio, e que também já chegou ao
gabinete da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, critica “algumas
notícias deturpadas pela comunicação social ou por quem insanamente as
tornou públicas”, defende o diretor José Coutinho Pereira “em todo o
sentido da sua atuação” e critica declarações públicas de representantes
sindicais, nomeadamente do presidente do Sindicato do Corpo da Guarda
Prisional (SNCGP), Frederico Morais.Em
causa está o caso do recluso do Estabelecimento Prisional de Angra do
Heroísmo, na ilha Terceira, que foi internado em estado grave a 26 de
abril depois de ter sido encontrado caído na cela onde estava em
confinamento com sinais de hipotermia e em relação ao qual foi aberto um
inquérito.O Ministério da Justiça (MJ)
reagiu ao documento afirmando que “nem o MJ, nem a Direção-Geral de
Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) podem ficar indiferentes a este
abaixo-assinado”.“São relatos que merecem
credibilidade – pois os signatários são pessoas que testemunharam
diretamente os factos, que não falam sob anonimato e que aceitam dar o
nome. O MJ considera que estes relatos devem ser analisados pela DGRSP,
que é quem conduz os processos de averiguações em curso”, acrescenta a
nota enviada à Lusa.No abaixo-assinado
descrevem-se comportamentos recorrentes de desordem do recluso,
decorrentes da sua condição de saúde mental e de um discernimento que o
impedia de autonomamente executar tarefas no seu próprio interesse,
nomeadamente de alimentação e higiene, mas até de proteção pessoal,
nomeadamente no que diz respeito a vestuário, sobretudo agasalhos.Refere-se
também a tentativa do diretor do estabelecimento para transferir o
recluso para uma unidade com valência de cuidados continuados, que
deveria ter acontecido a 28 de abril, mas que não se concretizou devido
ao internamento dias antes do recluso.O
documento desmente ainda algumas notícias sobre o caso, nomeadamente que
estivesse detido na cela com outro recluso e que o diretor tivesse
ordenado o seu isolamento apenas em roupa interior e com uma cama de
metal e que tivesse recusado que uma enfermeira lhe fornecesse um
agasalho depois de ter sido encontrado.Sobre
Frederico Morais especificamente, os subscritores questionam a
veracidade das suas declarações a confirmar estas informações e a
condenar violações de direitos humanos e tratamento desumano, assim como
as condições da cadeia de Angra do Heroísmo, que acusam de ter
confundido com a de Ponta Delgada.Contactado
pela Lusa, Frederico Morais disse ter transmitido a informação que lhe
foi passada pelos representantes sindicais nos Açores e questionou se
tudo o que os subscritores afirmam é correto em relação ao recluso e ao
trabalho do diretor do estabelecimento prisional, porque é que não foi
transferido antes para um estabelecimento com valência hospitalar.O
abaixo-assinado conclui em defesa do diretor José Coutinho Pereira,
sublinhando que “as gravidades destes atos não podem ser relativizadas”.“Trata-se
de uma tentativa consciente, perpetrada por menos de meia dúzia de
indivíduos, de denegrir a imagem de um diretor, que consideramos
competentíssimo, com base em meras intrigas e invenções sem qualquer
sustentação factual”, argumentam os subscritores.