Guaidó jura continuidade e assume presidência de parlamento paralelo
Venezuela
5 de jan. de 2021, 17:36
— Lusa/AO Online
A sessão parlamentar opositora
teve lugar de maneira virtual e decorreu ao mesmo tempo em que nos
espaços físicos da Assembleia Nacional (parlamento) tomavam posse os
deputados eleitos nas legislativas de dezembro último, escrutínio em que
a oposição aliada a Juan Guaidó não participou, denunciando fraude.“Ao
não haver deputados legitimamente eleitos para este novo período
legislativo, corresponde ao Parlamento, eleito em 2015, continuar em
funções, até que haja uma eleição válida”, disse hoje Juan Guaidó.O
líder opositor insistiu que cabe aos deputados eleitos em 2015
“encontrar uma solução” que defenda os venezuelanos, a Constituição e a
Assembleia Nacional e apelou à comunidade internacional a que apoie os
distintos mecanismos de solução ao conflito político venezuelano.“A
liberdade da Venezuela é o único mandato encomendado a este Parlamento
(…) o reconhecimento da comunidade internacional não é um obséquio
amável à sociedade civil, é uma conquista, uma luta diária contra uma
ditadura que tem as residências dos nossos deputados cercados”, disse.Juan
Guaidó sublinhou ainda que a oposição vai continuar a trabalhar em 2021
para conseguir a transição política, sublinhando que “as transições se
construem”.Na ocasião, Guaidó nomeou
outros líderes opositores, como Henrique Capriles Radonski, Maria Corina
Machado, Henry Ramos Allup, Leopoldo López, Manuel Rosales e Omar
Barbosa, de quem disse que “tanto fizeram pelo país” e insistiu na
necessidade da reconstrução e se alcançar uma via definitiva “para uma
transição para a democracia”.“Cabe-nos
representar milhões de venezuelanos que querem uma mudança, porque vamos
conseguir a liberdade da Venezuela”, acrescentou.Na
sessão virtual, em que participaram mais de 100 deputados, Juan Pablo
Guanipa e Carlos Berrizbeitia, tomaram posse como vice-presidentes do
“velho” parlamento opositor, e Wilfredo Febres Peñalver, como
secretário, até que no país se realizem “eleições livres, justas e
verificáveis”.Antes da sessão a equipa de
Juan Guaidó denunciou que viaturas do Serviço Bolivariano de
Inteligência Nacional da Venezuela (SEBIN, serviços de informação)
mantinha cercada a casa do líder opositor e que a sede do parlamento
estava militarizada.A oposição
venezuelana, liderada por Juan Guaidó, não reconhece Nicolás Maduro como
Presidente da Venezuela e denuncia alegadas irregularidades nas
eleições presidenciais antecipadas de 2018, acusando o chefe de Estado
de estar a "usurpar" o poder.A Venezuela
tem, desde janeiro de 2020, dois Parlamentos parcialmente reconhecidos,
um de maioria opositora, liderado por Juan Guaidó, e um pró regime do
Presidente Nicolas Maduro, liderado por Luís Parra, que foi expulso do
partido opositor Primeiro Justiça, mas que continua a afirmar ser da
oposição.A crise política, económica e
social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando Guaidó
jurou assumir as funções de Presidente interino do país até afastar
Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições
livres e democráticas.