Gruta do Carvão é palco de dois espetáculos do saxofonista açoriano Luís Senra
4 de nov. de 2025, 12:26
— Lusa
Os
dois espetáculos "Ali, onde já foi lava", organizados pela Associação
Ecológica Amigos dos Açores, entidade que gere a Gruta do Carvão, estão
agendados para as 21:00 locais (mais uma hora em Lisboa) e são limitados
a 30 pessoas.“‘Ali, onde já foi lava’ é
uma experiência musical e artística que acontece em cavidades
vulcânicas, lugares que a lava incandescente um dia ocupou, mas onde
agora resta apenas um espaço vazio. São vestígios de um vulcão em
erupção que expandiu os seus limites além do seu centro, deixando para
trás corredores, salas e passagens secretas que nos conduzem a lugares
inexplorados”, descreveu a associação.E
acrescentou: “Que segredos guardam estes lugares? Que memórias doutros
tempos repousam nas suas paredes feitas de rocha? Que melodias,
sensações e memórias podem ser extraídas, auscultadas e sentidas?”.Não
é a primeira vez que o local recebe espetáculos musicais intimistas,
referindo o presidente da direção da Associação Ecológica Amigos dos
Açores, Diogo Caetano, que os artistas que já ali atuaram “referem
sempre uma acústica muito particular e distinta dos outros locais onde
costumam normalmente atuar”.Desta vez, a
organização convidou Luís Senra, um saxofonista da ilha de São Miguel,
“que tem uma performance de improvisação muito interessante, e que, de
certa forma, […] se envolve no ambiente natural da própria Gruta do
Carvão”.“Já tocou várias vezes na Gruta do
Carvão e também já percorreu as restantes ilhas, relativamente às
grutas visitáveis, a tocar, no Algar do Carvão, na Terceira, na Gruta
das Torres, no Pico, na Furna do Enxofre, na Graciosa, também na procura
dessa experiência com os elementos da Terra, do interior da Terra, do
vulcanismo e da espeleologia em concreto”, admitiu o responsável em
declarações à agência Lusa.Na opinião de
Diogo Caetano, a nova presença do músico na Gruta do Carvão “será,
certamente, mais uma atuação que, depois, não terá repetição, uma vez
que, como é de improviso, será, com certeza, mais um momento único”.O
saxofonista atuará dois dias seguidos, pois só é possível
disponibilizar 30 lugares e, “normalmente, enchem com alguma
facilidade”.“Asseguramos logo dois dias
consecutivos, para dar oportunidade a pessoas diferentes de poderem
assistir, porque não vamos, não pretendemos, nem é o âmbito, termos mais
público do que aquelas 30 pessoas”, justificou.O
espaço onde Luís Senra vai tocar tem o ambiente adequado em termos
acústicos, tem chão de betão, e as pessoas ficam a assistir ao concerto
sem gerarem “pressão sobre o meio, porque é um local que já foi
artificializado”. A sala tem dois pisos e
uma abertura para um troço superior, onde circulou um outro túnel de
lava e, “de certa forma, está ali criada uma ambiência quer cénica, quer
acústica, quer também do ponto de vista da envolvência adequada ao
momento sempre reflexivo, sempre intimista e sempre de ligação entre as
pessoas e também com os elementos da natureza subterrânea”, explicou o
presidente da Associação Ecológica Amigos dos Açores.Luís Senra é um músico e artista natural de Rabo de Peixe, no concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel.O
músico “desenvolve um corpo de trabalho que procura a exploração dos
lugares que percorremos e ocupamos enquanto elemento de autorreferência,
expansão de consciência, transformação pessoal e sentimento de
pertença, através de experiências e performances que convidam e
valorizam a observação, exploração, reconhecimento, reflexão e
significação”, lê-se no texto sobre o espetáculo que terá cerca de uma
hora de duração.O bilhete para a
performance "Ali, onde já foi lava", que o músico vai interpretar no
interior da Gruta do Carvão, custa sete euros para sócios da associação
organizadora e 15 para não sócios.