Grupo Vita disponível para continuar em funções para ajudar Igreja a prevenir abusos
Hoje 16:54
— Lusa/AO Online
“Estamos
disponíveis para continuar este processo se entenderem”, afirmou a
coordenador do grupo, Rute Agulhas, embora salientando que, “a haver
alguma continuidade é preciso reformular os objetivos” do grupo, nomeado
em maio de 2023 como peritos independentes para ouvir as denúncias e
apoiar as vítimas.“A continuar”, o grupo
teria de ser reconfigurado para “trabalhar de forma mais próxima” das
comissões diocesanas e das ordens religiosas“Se
o fim último é que as estruturas da igreja não só se capacitem”, mas
“transmitam para fora segurança”, é necessário repensar o modelo,
considerou a coordenadora do grupo.“Não
temos um contrato de trabalho a termo certo, fomos convidados a abraçar
esta missão, fizemos uma planificação a três anos”, afirmou Rute
Agulhas, na apresentação de um relatório sobre as atividades do grupo em
2025.“Desde o início das suas funções, o
Grupo VITA recebeu 850 chamadas telefónicas e foi contactado por 154
vítimas e sobreviventes, bem como por um agressor”, tendo sido
“registados 43 pedidos de ajuda relativos a situações de violência que
não se enquadram na sua missão”, pode ler-se no documento.No total, foram identificados 34 pedidos apoio psicológico, sete pedidos de apoio social e cinco de apoio psiquiátrico.As
86 vítimas e sobreviventes até agora escutados têm, em média, 55 anos,
são maioritariamente do sexo masculino e solteiros e as situações
ocorreram entre 1955 e 2023 e a primeira ocorrência sucedeu quando os
queixosos tinham entre os 10 e os 11 anos.As
estratégias usadas pela pessoa agressora, na maioria dos casos
sacerdotes (91,8%), incluem, sobretudo, abuso de autoridade,
aproveitamento da relação de confiança e familiaridade, bem como engano,
confusão e surpresa”, pode ler-se no relatório.Até
ao momento, foram recebidos 95 pedidos de compensação financeira, 11
dos quais “arquivados liminarmente”, e “91% dos pareceres foram já
enviados à comissão responsável pela fixação das compensações”.Nas
conversas com a vítima, os psicólogos concluem que o “agressor
utilizava frequentemente a religião como ferramenta multifacetada de
manipulação”, com uma “justificação divina do abuso”, a
“instrumentalização da culpa religiosa” ou “chantagem espiritual para o
silêncio”.“Há muitos casos em que não se consegue identificar a vítima”, exemplificou Rute Agulhas.Em
paralelo, foram identificadas “estratégias de manipulação emocional e
normalização do abuso” e o que impediu a continuação das agressões foi o
“evitamento da vítima” (53,3%) ou o “afastamento do agressor do local
(9,7%)”.Cabe também ao grupo VITA ouvir as
vítimas que apresentaram pedidos de indemnizações que serão apreciadas
por uma comissão nomeada pela hierarquia e, até ao momento, já foram
entregues 91% dos pareceres.O grupo
destaca a “crescente recetividade e o envolvimento das diversas
estruturas eclesiais, que têm demonstrado uma abertura progressiva ao
diálogo, à formação e à adoção de boas práticas de prevenção e resposta à
violência sexual”, elogiando a “disponibilidade e colaboração” por
parte da hierarquia.Para tentar combater
os problemas, o grupo propõe uma “redução das assimetrias de poder”, a
“reconfiguração da figura sacerdotal” e a valorização das vítimas, “para
combater preconceitos e estigmas”, bem como uma “uniformização de
estruturas” eclesiais que lidem com este tema.