Grupo SATA regista prejuízo de 57,4 milhões de euros em 2021

15 de jun. de 2022, 10:49 — Paulo Faustino

O Grupo SATA registou em 2021 um EBITDA (Resultados Operacionais antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações) positivo pela primeira vez nos últimos 5 anos, ou seja, de 5,7 milhões de euros (ME), bem como um resultado líquido consolidado negativo de –57,4 ME, ainda assim em resultado de uma melhoria superior a 30 ME face a 2020.Ontem, numa nota informativa sobre as suas contas de 2021, a transportadora aérea açoriana deu a saber que obteve uma receita total consolidada de 186,2 milhões de euros, o que significa um crescimento de 57,2% em relação a 2020.Mas não deixou de reconhecer que, “apesar da melhoria substancial, os resultados líquidos continuam em terreno negativo, pressionados também pelos juros da dívida histórica e a dívida contraída durante o combate à pandemia, que ascenderam, em 2021, a 29,7 milhões de euros”. Observa ainda que o resultado líquido reflete cerca de 5,5 ME de diferenças de câmbio líquidas, resultantes da utilização da norma contabilística IFRS-16 e da apreciação do dólar face ao euro.A SATA classifica como “entusiasmante” o crescimento que registou, tendo em conta as circunstâncias “ainda bastante adversas” em 2021, ano que “continuou a ser marcado pela pandemia covid-19, com particular incidência no 1º semestre, e as receitas no setor da aviação global continuaram sob enorme pressão”. Comparativamente ao ano pré-pandémico de 2019, a quebra na receita registada no grupo atingiu cerca de 47 ME.Segundo a SATA, no ano passado, o crescimento dos custos operacionais consolidados foi limitado a +21,5%, “pressionados pelas medidas de combate à pandemia, por custos de reestruturação e pela modernização de processos internos que gerarão poupanças futuras”.“Mesmo perante um clima de instabilidade permanente da procura e de um ambiente de mobilidade particularmente adverso, o Grupo SATA fechou o ano com um EBITDA de 5,7 milhões de euros, positivo pela primeira vez nos últimos 5 anos”, enfatiza a nota.No quadro das companhias aéreas que compõem o grupo, saliente-se que a SATA Air Açores apresentou um crescimento de lugares utilizados de 75% em relação a 2020, ficando apenas cerca de 17% abaixo de 2019. “Este comportamento resultou num crescimento de receitas correntes de 18,8%, beneficiando de uma maior resiliência do tráfego doméstico, potenciado pela introdução, em junho, da Tarifa Açores”, é assinalado.Por seu lado, a SATA Azores Airlines apresentou um significativo crescimento de receitas correntes (78,2%), resultado de um crescimento de tráfego de 113%, mais do dobro do ano anterior. A administração não tem dúvidas: “O crescimento significativo da receita na Azores Airlines, muito acima da média da indústria, resulta de uma transformação comercial estruturante que inclui a contínua estabilização e promoção da rede, o trabalho próximo com parceiros, a alavancagem do destino Açores e melhores capacidades técnicas de gestão de receita”. Por seu lado, a SATA Gestão de Aeródromos registou um crescimento de receitas de 20% em relação a 2020, incluindo valores recebidos por compensação de anos anteriores. Perspetivas da SATA para 2022 são de “otimismo moderado”A SATA assume que as perspetivas para este ano são de “otimismo moderado”, tendo em conta que o número de passageiros e a receita continuam a registar um forte crescimento.“A título ilustrativo, a SATA Azores Airlines registou no dia dos Açores, 6 de junho, um valor de receita vendida acumulada no ano, igual a todo o ano de 2021. Em consequência, o valor de receita em 2022 deverá ultrapassar o valor de 2019, bem antes das estimativas da indústria que prevê que a nível global, o mesmo só deverá ocorrer em 2023/24”, declara o grupo.O presidente da SATA, Luís Rodrigues, refere-se a 2021 como um ano “turbulento”, mas também “animador”.