Grupo neonazi 1143 estava a preparar ações provocatórias com ofensas a Maomé
Hoje 16:27
— Lusa/AO Online
No
despacho de indiciação dos 37 detidos, ao qual a Lusa teve acesso,
o MP sustenta que, em novembro passado, o presumível líder do grupo,
Mário Machado, terá gizado um plano para a realização, em 2026, de duas
grandes ações com o objetivo de provocar reações negativas ou violentas
por parte da comunidade muçulmana residente em Portugal.A
primeira estaria prevista para fevereiro e passaria pela divulgação
junto da Comunicação Social e na rede social X de um vídeo com uma
tarja, apreendida na terça-feira pela PJ, a acusar Maomé, figura sagrada
do Islão, de ser pedófilo.A segunda
consistiria na exibição, numa manifestação em Coimbra no 10 de Junho
(Dia de Portugal), de uma bandeira com uma imagem do profeta com um
turbante e uma bomba.No despacho, são
ainda enumeradas cerca de uma dezena de ações destinadas a difundir
ideologia de extrema-direita desenvolvidas pelo 1143 desde fevereiro de
2024 nas redes sociais e na rua contra, sobretudo, imigrantes
muçulmanos, incluindo manifestações e uma situação de agressões a dois
cidadãos indianos numa área de serviço de Aveiras, na Autoestrada 1
(A1), a 5 de outubro de 2025.O grupo,
com uma estrutura hierárquica e funções distribuídas, estaria ainda, por
decisão de Mário Machado, a preparar-se para ter natureza paramilitar
em antecipação a uma eventual "guerra racial".Segundo
o MP, os primórdios do 1143 remontam a 2001, a uma fação
ultranacionalista e neonazi da claque do Sporting - Juventude Leonina,
da qual Mário Machado faria parte e que foi enfraquecida em 2004 na
sequência de uma operação policial.Terá
sido Mário Machado a reerguer o 1143 na sequência de um ataque
terrorista na capital belga, Bruxelas, durante um jogo de futebol entre
as seleções da Bélgica e da Suécia, em outubro de 2023.De
acordo com a PJ, foram detidas na operação "Irmandade" 37 pessoas e
constituídas arguidas outras 15, por suspeita da prática dos crimes de
discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação
agravadas, ofensa à integridade física qualificada e detenção de arma
proibida.Os suspeitos têm entre 30 e 54 anos e são maioritariamente homens com antecedentes criminais.Os
37 detidos foram identificados na quarta-feira por um juiz do Tribunal
Central de Instrução Criminal, em Lisboa, e se, assim o entenderem,
prestarão declarações nos próximos dias, antes de lhes serem
eventualmente aplicadas medidas de coação.À
Lusa, a advogada de vários arguidos, Mayza Consentino, garantiu que o
1143 é somente "um grupo de convívio", sem nada de violento, e que atuou
no âmbito da liberdade de expressão que a lei permite.Mário
Machado, de 48 anos, está atualmente a cumprir pena de prisão por
discriminação e incitamento ao ódio e à violência no âmbito de outro
processo.