Grupo do Porto Formoso lamenta falta de apoio do governo ao folclore
Hoje 10:25
— Rui Jorge Cabral
O presidente da direção do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça do
Porto Formoso lamenta a falta de apoio do Governo Regional ao folclore e
particularmente aos festivais. Em declarações ao Açoriano Oriental,
o presidente da direção do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da Graça
do Porto Formoso, José Maria Cabral, lamenta só ter encontrado este ano
apoios do governo para o folclore destinados à aquisição de
instrumentos, tendo ainda no passado fim de semana decorrido o 19.º
Festival Internacional de Folclore do Porto Formoso sem contar com
qualquer apoio do governo, a primeira vez na última década em que esta
situação aconteceu.José Maria Cabral lembra que ainda no ano passado
o festival reuniu cerca de 1200 pessoas, num esforço logístico
considerável, sendo por isso “já é uma marca cultural ao nível do
Concelho da Ribeira Grande e mesmo da ilha de São Miguel”.Uma
situação que leva José Maria Cabral a lamentar que o folclore seja
sempre “o parente pobre da cultura” nos Açores. “Como é que se pode
incentivar os jovens a pertencerem a associações ou a grupos folclóricos
se o próprio governo não olha com olhos de ver o folclore açoriano?
Realmente isso desanima”, lamenta o presidente da direção do Grupo
Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso. Mas para que o
folclore não morra, é preciso levá-lo aos mais jovens, tendo o grupo do
Porto Formoso realizado o trabalho de levar o folclore às escolas.
“Estivemos na escola da Maia no ano passado, este ano já fomos à Escola
Gaspar Frutuoso, na Ribeira Grande e celebrámos o Dia da Autonomia a
dançar folclore, com imensos jovens a quererem dançar”, revela José
Maria Cabral. Que lança mesmo um desafio: “já temos há muito a flauta
nas escolas, mas porque não pensar na viola da terra”?Festival sem apoioConforme
já tinha referido, José Maria Cabral lamenta “não termos qualquer apoio
para o Festival Internacional de Folclore a nível do governo”. As
candidaturas são feitas com muita antecedência. “Acaba um festival e já a
partir de segunda-feira, começa a preparação do próximo festival”,
explica o presidente da direção do Grupo Folclórico de Nossa Senhora da
Graça do Porto Formoso. Contudo, “quando quatro semanas antes do
festival vem um e-mail a dizer que não temos qualquer tipo de apoio,
obviamente que é difícil organizar a logística toda para termos grupos
internacionais”, lamenta.José Maria Cabral diz mesmo que “se não
tivéssemos um protocolo com a Câmara Municipal da Ribeira Grande para a
realização do 19.º Festival, não teria sido possível realizá-lo”. E a
esse apoio, juntou-se também o apoio da Junta de Freguesia do Porto
Formoso. O festival deste ano contou com o grupo da casa e com dois
grupos estrangeiros, um vindo da Polónia e o outro de França. Isto para
garantir algum tempo de atuação para cada grupo. Por isso, o Grupo
Folclórico de Nossa Senhora da Graça do Porto Formoso tem a intenção de,
conforme explica José Maria Cabral, “fazer um fim de semana de festival
de folclore, com um festival regional na sexta-feira e o festival
internacional no sábado”. Desta forma, mais grupos poderiam
participar, tendo na mesma um bom tempo de atuação. Contudo e para que
este projeto se concretize, serão necessários apoios que o festival não
tem neste momento.Refira-se que o grupo de França que esteve este
ano no festival tem a particularidade de ser um grupo de emigrantes
portugueses com mais de cinquenta anos de existência e que atua com
modas ribatejanas.Conforme recorda José Maria Cabral, “estivemos em
França em 2023, num intercâmbio com este grupo, do qual saímos muito
privilegiados por conhecermos este grupo, porque sabemos que já é
difícil termos folclore no nosso país, pelo que fora do país, criar
essas condições e manter as tradições é ainda mais difícil”.José
Maria Cabral lembra ainda que este é um grupo “muito jovem, com 48
pessoas e muita qualidade artística, com bons tocadores e bons
cantadores”, conclui.