Grupo de trabalho para rever subsídio social de mobilidade aguarda por contributos até ao final do mês
24 de set. de 2024, 16:02
— Lusa/AO Online
“O gabinete
do Ministério das Infraestruturas e Habitação recebeu já uma versão de
trabalho do relatório do grupo de trabalho para obter comentários e, até
ao final do mês, incorporar os últimos contributos recebidos por
entidades externas, entregando-se posteriormente uma versão final do
relatório do qual constem as recomendações relativas ao modelo de
subsídio social de mobilidade”, indicou o Ministério, numa resposta por
escrito à Lusa.O grupo de trabalho, que
tem como objetivo rever o modelo do subsídio social de mobilidade nas
viagens de avião entre as regiões autónomas e o continente para
residentes e estudantes, foi criado com o despacho n.º 7613/2024, de 12
de julho.Segundo a publicação, o grupo de
trabalho devia “concluir os seus trabalhos até 15 de setembro de 2024,
com a entrega ao Governo de um relatório final”, do qual deveriam
constar “as recomendações relativas ao modelo de subsídio social de
mobilidade”.Presidido pela Autoridade
Nacional da Aviação Civil (ANAC), o grupo é constituído por
representantes do Ministério das Finanças, do Ministério das
Infraestruturas e Habitação, das regiões autónomas da Madeira e dos
Açores, da Inspeção-Geral de Finanças e da Direção-Geral do Tesouro e
Finanças.O grupo já realizou “reuniões com
todos os agentes do setor e entidades administrativas envolvidas,
incluindo as diligências de consulta necessárias junto da Comissão
Europeia”.Nos Açores, o subsídio social de
mobilidade permite aos residentes no arquipélago deslocarem-se para o
continente com uma tarifa aérea máxima de 134 euros. Porém, é necessário
adquirir inicialmente a passagem pelo preço de venda e, só depois de
efetuada a viagem, todo o valor acima desta meta de 134 euros é
ressarcido a título de reembolso pelo Estado.Na
Madeira, foi fixado para os residentes o valor de 86 euros nas ligações
de ida e volta para o território continental, valor que pode aumentar
se a viagem exceder o teto máximo de 400 euros.No
despacho que criou o grupo de trabalho, o Governo da República revela
que desde 2014 houve um “encarecimento do custo elegível médio, com
concentração crescente dos pedidos de reembolso em escalões mais
elevados”.Na Madeira, os encargos globais
com o subsídio social de mobilidade aumentaram de seis milhões de euros,
em 2014, para 45 milhões, em 2023, enquanto nos Açores aumentaram de
9,9 milhões de euros, em 2014, para 81 milhões de euros, em 2023.Nos
últimos cinco anos, “foram desenvolvidas diversas operações policiais
pela Polícia Judiciária, visando desmantelar redes criminosas dedicadas à
utilização fraudulenta do subsídio social de mobilidade nos Açores e na
Madeira, num valor global de fraude aos cofres do Estado que será muito
superior a seis milhões de euros”.“É
necessário averiguar uma forma mais ágil e eficaz dos respetivos acertos
de contas, com a possibilidade de os residentes só pagarem até ao
limite máximo estipulado por bilhete sem necessidade de reembolsos
posteriores, mas salvaguardando, porém, que o mercado funcione, que as
linhas concorrenciais se mantenham e que a revisão deste modelo não
constitua um fator de afastamento das companhias aéreas destas rotas”,
lê-se na publicação.A 31 de maio, o
ministro das Infraestruturas defendeu, na comissão de Economia do
parlamento açoriano, a implementação de um limite máximo elegível de
cerca de 600 euros para o apoio.Já em
julho, questionado à margem de uma reunião com a secretária do Turismo,
Mobilidade e Infraestruturas do Governo dos Açores, o secretário de
Estado das Infraestruturas disse que o valor máximo ainda não estava
definido, remetendo a questão para as conclusões do grupo de trabalho.