Grupo de lesados manifesta-se hoje no Porto

BES

23 de nov. de 2017, 08:47 — Lusa/AO Online

Em declarações à Lusa, António Novo, um dos lesados, disse que manifestação começa pelas 10:00, nas imediações do balcão do Novo Banco e do Banco de Portugal, na Avenida dos Aliados, em protesto “contra a solução anunciada” para resolver o problema dos valores que os investidores dizem ter em dívida há mais de três anos.“Fala-se numa solução, mas os lesados não foram ouvidos. Estamos sem solução e sem advogados. Não aceitamos a solução proposta”, acrescentou.Esta é a segunda manifestação dos lesados do Banco Espírito Santo (BES) realizada no Porto durante este mês e, num comunicado assinado por mais de uma centena de lesados, o grupo refere que “ninguém assume a responsabilidade pelo drama das pessoas espoliadas dentro de um banco, que transmitia confiança máxima, uma marca com mais de 100 anos de existência, que a cada dia a história deste inominável assalto às poupanças dos clientes vemos mais desmascarada”.“Muitas famílias tinham as suas poupanças à guarda do BES. Muitos faliram, caíram em depressão; houve até suicídios”, assinalam.O grupo acrescenta que “o Banco de Portugal tinha sido alertado pelo BPI em início de 2013 para a situação do BES” e “mesmo assim permitiu que os clientes de retalho fossem vítimas de uma fraude.Isto, na medida em que o Banco de Portugal “ordenou então ao BES a criação de uma provisão para salvaguardar os clientes de retalho, que passou para o Novo Banco, mas não passou de uma falsa garantia ao permitir o uso da provisão para outros fins, sem se importar com as pessoas, vítimas de um roubo das poupanças de uma vida”, acrescentam.A Assembleia da República aprovou em 19 de julho, em votação final global, a criação dos fundos de recuperação de crédito, legislação que permite avançar com a solução para compensar os clientes lesados pela compra de papel comercial ao BES, anunciada em dezembro de 2016.A aprovação da proposta de lei concluiu o processo legislativo necessário para avançar com o mecanismo de indemnização aos mais 2.000 clientes que perderam 400 milhões de euros com a compra, aos balcões do BES, de papel comercial das empresas Espírito Santo Financial e Rio Forte, cujo investimento foi dado como praticamente perdido com o colapso do banco e do Grupo Espírito Santo (no verão de 2014).A solução para os clientes do papel comercial foi uma promessa do primeiro-ministro, António Costa, tendo sido apresentada no final de 2016, depois de mais de um ano de negociações no grupo de trabalho constituído por Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Banco de Portugal, 'banco mau' BES e Governo, através do advogado Diogo Lacerda Machado.O BES, tal como era conhecido, acabou em 03 de agosto de 2014, quatro dias depois de apresentar um prejuízo semestral histórico de 3,6 mil milhões de euros.O Banco de Portugal, através de uma medida de resolução, tomou conta da instituição fundada pela família Espírito Santo e anunciou a sua separação, ficando os ativos e passivos de qualidade num 'banco bom', denominado Novo Banco, e os passivos e ativos tóxicos no BES, o 'banco mau' ('bad bank'), sem licença bancária.