Grupo de Estados Contra Corrupção critica Portugal e pede maior independência do poder judiciário
6 de mar. de 2018, 09:21
— Lusa/AO online
Este alerta consta das conclusões do 4.º relatório de avaliação deste
organismo do Conselho da Europa, no qual é também referido que Portugal
só implementou satisfatoriamente uma das 15 recomendações do GRECO e,
das restantes 14, apenas três foram aplicadas parcialmente, faltando
concretizar onze.O
GRECO conclui que, ao nível de aplicação das recomendações, Portugal
está num patamar "globalmente insatisfatório" e solicita ao chefe da
delegação de Portugal que apresente um relatório sobre o progresso na
implementação das recomendações, o mais tardar até 31 de dezembro. Quanto
à independência do poder judiciário e dos juízes, o GRECO lamenta que
os conselhos superiores dos juízes e dos magistrados do Ministério
Público não tenham os poderes reforçados, limitando-se à gestão e
disciplina dos juízes. O
Grupo diz mesmo estar "desapontado" por Portugal não ter dado
cumprimento "a recomendações que considera cruciais" para promover uma
maior independência do poder judicial e dos juízes.O
relatório alerta ainda que os conselhos superiores que supervisionam o
acesso aos tribunais superiores são formados, na sua maioria, por
membros não-juízes, embora reconheça que está em curso a revisão do
Estatuto das magistraturas.O
documento conclui que as avaliações periódicas dos juízes não cumprem
de forma justa, objetiva e atempada as regras existentes e critica a
ausência de divulgação dos resultados dos processos disciplinares
instaurados.Em
contraposição, o GRECO elogia o Ministério Público pela divulgação das
informações sobre o resultado de seus procedimentos disciplinares
internos.No
relatório é dito que o novo mapa judiciário deve ser acompanhado de uma
revisão do Estatuto dos Magistrados do Ministério Público, “por forma a
evitar interferências indevidas ou ilegais ou pressões da hierarquia”.O
Grupo de Estados Contra a Corrupção congratula-se que esteja em curso
uma reforma para reforçar a integridade, aumentar a responsabilidade e a
transparência dos titulares de cargos públicos, incluindo os deputados,
mas refere que algumas normas ainda estão em estado embrionário.O
relatório sugere o aperfeiçoamento do regime que regula os conflitos de
interesses e apresentação da declaração de rendimentos de detentores de
cargos público, a par de sanções mais adequadas e efetivas.
As autoridades portuguesas devem ainda avançar para um processo
legislativo que permita uma verdadeira igualdade e diversidade de acesso
através do contributo de todas as partes interessadas, incluindo a
sociedade civil.