Grupo de direitos dos imigrantes insta a retirar grávidas de detenção nos EUA
22 de out. de 2025, 17:15
— Lusa/AO Online
A carta remetida ao Serviço de Imigração e
Alfândegas (ICE) dos Estados Unidos faz parte de uma campanha mais
ampla, levada a cabo nos últimos meses por democratas e grupos de defesa
dos direitos dos imigrantes, para chamar a atenção para o que
classificam como maus-tratos a grávidas detidas durante a vaga de
repressão migratória da administração republicana liderada pelo
Presidente Trump.O Departamento de
Segurança Interna (DHS) defendeu os cuidados prestados às imigrantes
grávidas detidas, afirmando que estas têm consultas pré-natais regulares
e apoio nutricional, mas não forneceu até agora dados sobre o número de
gestantes detidas, como exigiam os democratas.Enviada
pela organização não-governamental (ONG) União Americana pelas
Liberdades Civis (ACLU), a carta apresenta relatos de mulheres grávidas
que afirmam ter sido algemadas durante o transporte, colocadas em regime
de solitária durante vários dias e recebido comida e água
insuficientes, enquanto mantidas em centros de detenção nos estados
norte-americanos de Luisiana e Georgia.A
ACLU indicou que, nos últimos cinco meses, se reuniu com mais de uma
dúzia de mulheres que estavam grávidas quando sob custódia do ICE —
entre as quais algumas que sofreram abortos espontâneos enquanto estavam
detidas.As mulheres relataram
“experiências extremamente perturbadoras”, segundo a carta, incluindo
falta de tradução durante os atendimentos médicos e negligência médica.
Uma delas sofreu uma “infeção grave” após o aborto espontâneo.Em
entrevista à agência de notícias norte-americana The Associated Press
(AP), uma dessas mulheres disse ter sido mantida algemada durante o
transporte para Luisiana — uma deslocação que durou cinco horas e
incluiu duas viagens de avião. A mulher, que já foi libertada da
custódia e deu à luz, solicitou o anonimato, por temer sofrer
retaliações no seu caso, ainda em curso.Um polícia disse-lhe que considerou tirar-lhe as algemas, mas temia que ela fugisse.“Como é que vou fugir se estou grávida?”, afirmou a mulher ter respondido.Disse que se sentiu como se tivesse sido raptada e sentiu tonturas e náuseas e sofreu uma hemorragia vaginal. Durante
o período em que esteve na unidade de detenção, disse que não era
oferecida qualquer dieta especial às mulheres grávidas e descreveu a
comida como horrível, alegando ainda que estas “tinham de implorar” por
água e papel higiénico.A carta da ACLU é o mais recente apelo para uma investigação sobre a detenção e o tratamento dado a reclusas grávidas.Os
democratas do Senado (câmara alta do Congresso) escreveram à secretária
de Segurança Interna, Kristi Noem, em setembro, expressando preocupação
com a “existência e o tratamento” de mulheres grávidas, puérperas e
lactantes sob custódia do ICE e exigindo que a agência deixasse de deter
essas pessoas, a menos que se verificassem “circunstâncias
excecionais”.Os senadores democratas sublinharam ainda que tem sido difícil obter informação sobre o número de grávidas sob custódia do ICE.O
DHS indicou que as imigrantes grávidas mantidas em centros de detenção
têm acesso a consultas pré-natais regulares, serviços de saúde mental,
apoio nutricional e acomodações “alinhadas com os padrões de cuidados da
comunidade”.“A detenção de mulheres
grávidas é rara e tem elevada supervisão e revisão”, afirmou a agência
num comunicado de imprensa, em agosto.