"Grupo de cidadãos vai apresentar queixa-crime contra André Ventura e Pedro Pinto"
25 de out. de 2024, 12:39
— Lusa/AO Online
Em causa estão declarações do
líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, sobre os tumultos dos últimos
dias relacionados com a morte de Odair Moniz, baleado pela polícia na
Amadora, afirmando que se as forças de segurança “disparassem mais a
matar, o país estava mais na ordem”.Também
o presidente do Chega disse sobre o agente da PSP que baleou Odair
Moniz: “Nós não devíamos constituir este homem arguido; nós devíamos
agradecer a este policia o trabalho que fez. Nós devíamos condecorá-lo e
não constitui-lo arguido, ameaçar com processos ou ameaçar prende-lo”.De
acordo com o projeto de queixa-crime, a que o Diário de Notícias teve
acesso, os principais ilícitos são: “instigação à prática de crime”,
apologia da prática de crime” e “incitamento à desobediência coletiva”.Entre
os subscritores está a ex-ministra da Justiça, ex-ministra da
Administração Interna e ex-Procuradora-Geral da distrital de Lisboa
Francisa Van Dunem, que em declaração ao DN disse que foi “atingido um
limite”.“Atingiu-se um limite. Nenhum
democrata pode deixar de se indignar com estas declarações. A minha
consciência obriga-me a tomar uma atitude em relação a quem se aproveita
deste clima para fazer apelos ao ódio e a mais violência. Vou
subscrever a queixa, que espero que seja subscrita pelo maior numero
possível de pessoas”, disse.Sobre as declarações de Pedro Pinto, é referido na proposta de queixa que está consubstanciando “a apologia de um crime.“O
suspeito Pedro Pinto incentivou - e sabe que o fez – que agentes das
forças de segurança usassem, indevidamente, as armas que lhes são
entregues pela República Portuguesa, em nome de todos os cidadãos, para
matar outros concidadãos na via publica, através de execuções sumárias
que são proibidas pela Constituição e por todos os textos internacionais
de defesa dos direitos humanos”, é referido no texto.O
documento citado pelo DN diz também que o “suspeito André Ventura
conhece muito bem o regime jurídico do porte e uso de armas de fogo
pelas forças de segurança, não só porque é doutorado em Direito, como
porque é deputado, participando na tomada de decisão legislativa”.Refere
igualmente que André Ventura “(…) sabe que ao elogiar publicamente um
ato policial que conduziu à morte de um cidadão (…) cria nas pessoas que
não dispõem de conhecimentos jurídicos especializados, a convicção de
que as forças de segurança podem usar armas de fogo sempre que um
cidadão desrespeite uma ordem delas emanada, incluindo de detenção.Por
isso, os subscritores consideram que André Ventura, como Pedro Pinto,
quiseram incentivar a “desordem e a desobediência dos agentes das forças
de segurança face aos seus superiores hierárquicos”, cometendo o crime
de “incitamento a desobediência coletiva”.Na
proposta de queixa-crime são também realçadas as declarações de Ricardo
Reis, um assessor parlamentar do partido, que disse na rede social X em
23 de outubro: “A única palavra é esta: obrigado ao agente que deixou
as ruas mais seguras!” e “menos um criminoso… menos um eleito do Bloco
[de Esquerda]”.Sobre estas declarações, é referido na proposta que está em causa um crime de associação criminosa.O social-democrata e comentador João Maria Jonet é outro dos subscritores da queixa.Desde
a noite de segunda-feira registaram-se desacatos no Zambujal e, desde
terça-feira, noutros bairros da ÁML, onde foram queimados autocarros,
automóveis e caixotes do lixo. Mais de uma
dezena de pessoas foram detidas, o motorista de um autocarro sofreu
queimaduras graves e dois polícias receberam tratamento hospitalar,
havendo ainda alguns cidadãos feridos sem gravidade.