Grupo de cidadãos preocupado com impactos da interdição a banhos do ilhéu da Vila
17 de abr. de 2025, 17:42
— Lusa/AO Online
Localizado na ilha
de São Miguel, o ilhéu de Vila Franca do Campo, uma das principais
atrações turísticas dos Açores, será interdito a banhos em 2025 devido
aos resultados da qualidade da água dos últimos cinco anos, segundo
revelou em março o executivo açoriano.“A
visitação não está interdita. Os banhos é que são desaconselhados e são
interditos por lei”, adiantou à Lusa, na ocasião, o diretor regional de
Políticas Marítimas dos Açores, Rui Martins.O ilhéu, classificado como reserva natural, é considerado uma das principais atrações turísticas da ilha de São Miguel.Para
o grupo de cidadãos, que apresentou uma proposta de plano para
recuperação e viabilização do acesso balnear ao ilhéu, a interdição
prolongada, caso se mantenha, exige “a implementação urgente de medidas
de apoio económico às estruturas associativas e empresariais locais, e
de mitigação do impacto social e laboral” decorrente da decisão. “Qualquer
solução para o futuro do ilhéu deve necessariamente considerar a sua
função como pilar económico e social da comunidade vila-franquense”,
lê-se na proposta de plano, enviada às redações, assinada pelos
proponentes Miguel Cravinho, Octávio Moreira e Pedro Arruda.No
documento é referido que o ilhéu representa “um dos mais importantes
ativos turísticos da região, com um impacto económico direto e indireto
muito significativo” para a economia local. Segundo
referem, estima-se que durante os quatro meses da época balnear o ilhéu
"receba entre 35.000 a 40.000 visitantes", o que corresponde a uma
receita direta de "aproximadamente 360.000 euros provenientes apenas da
venda de bilhetes”.No entanto, o impacto
económico real do ilhéu “vai muito além da bilhética”, sublinham,
destacando que a maioria dos visitantes consome refeições em
restaurantes e cafés de Vila Franca do Campo, adquire produtos em lojas
locais, utiliza serviços de empresas turísticas e, em muitos casos, opta
por pernoitar em unidades de alojamento local. "Com
base em estimativas conservadoras de consumo médio por visitante (entre
40 euros e 60 euros), estima-se que o impacto económico global
associado à presença do ilhéu ultrapasse os 3,5 milhões de euros por
época balnear", realçam.Os proponentes
referem ainda que este valor tem uma "importância vital" numa economia
de "pequena escala" como a de Vila Franca do Campo, onde "muitas micro e
pequenas empresas dependem da dinâmica turística que o ilhéu gera". Para
o grupo de cidadãos, o encerramento da zona balnear terá "um efeito
cascata", que afetará diretamente setores como a hotelaria, restauração,
comércio, operadores marítimo-turísticos, entre outros, e "acarreta uma
diminuição dos rendimentos familiares, perda de postos de trabalho e um
risco acrescido de falência de algumas empresas”.Para
além da relevância ecológica, o ilhéu "é um elemento central na
identidade e vida comunitária de Vila Franca do Campo", lê-se no
documento. Na proposta de plano, os
cidadãos defendem que "em vez da exclusão definitiva da zona balnear do
ilhéu se implemente um modelo de gestão adaptativa do risco,
juridicamente admissível e tecnicamente exequível", que permita a
abertura condicionada da zona balnear durante o verão."O
ilhéu não pode ser definitivamente interdito sem esgotar todas as
possibilidades legais, técnicas e humanas para a sua valorização e
proteção partilhada", consideram, destacando que se trata de "um ícone
da imagem promocional do município e da Região Autónoma dos Açores".Os
autores do documento consideram ainda que é necessário e urgente
conseguir um entendimento entre os vários intervenientes: a autarquia, o
Governo Regional, associações cívicas locais, bem como dos cidadãos.A
primeira classificação negativa da qualidade das águas do ilhéu ocorreu
em 2020 e no ano seguinte foi criado um grupo de trabalho, que integrou
representantes do Governo Regional, do município de Vila Franca do
Campo e da delegação de saúde, entre outras entidades.