Grupo de cidadãos pede documentos ao Governo dos Açores para travar desmantelamento de fábrica da Sinaga
11 de nov. de 2021, 15:03
— Lusa/AO Online
Em comunicado de imprensa, o
grupo de cidadãos, que lidera a Junta de Freguesia de Santa Clara, há 16
anos, disse ter solicitado ao secretário regional das Finanças,
Planeamento e Administração Pública “uma cópia ou certidão de teor das
decisões administrativas que legitimam todos os atos de desmantelamento
em curso e/ou que legitimarão outros a desenvolver no futuro”.Em
finais de outubro, o grupo de cidadãos disse ter entregado uma
providência cautelar para travar “todas as ações de desmantelamento” da
fábrica da Sinaga, extinta pelo Governo Regional.Revelou
agora que foi solicitada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta
Delgada “prova da existência da decisão administrativa governamental
que autorizou aquelas operações de desmantelamento”.“É
um facto que, sem tal decisão administrativa, se poderia estar perante o
desenvolvimento de um ato ilegal e criminoso de puro vandalismo
superiormente tolerado, visto, no caso em apreço, estar-se perante
propriedade pública sob tutela governamental”, adiantou, em comunicado
de imprensa.Os autores da providência
cautelar admitiram, no entanto, não ter “acesso direto a tal ou tais
decisões administrativas”, acrescentando que, “apesar de assumidas na
comunicação social pela tutela”, as decisões não foram “tornadas
públicas em concreto”.Por isso, entenderam “requerer formalmente” essa documentação ao secretário regional das Finanças, Joaquim Bastos e Silva.“No
interesse maior da defesa e preservação de um bem público e de um
património histórico-cultural de valor imenso para os Açores, e sem
prejuízo de outras ações que forem entendidas como necessárias para
atingir o mesmo fim, o grupo de cidadãos ‘Santa Clara – Vida Nova’
aguarda do senhor secretário regional Bastos e Silva a melhor
compreensão e disponibilidade para satisfazer o que lhe foi requerido em
nome da desejável transparência dos atos administrativos praticados
pelo Governo dos Açores”, lê-se, em comunicado de imprensa.O
processo de providência cautelar, que teve como autores cerca de 100
cidadãos, visa “questionar e impugnar a legitimidade do desmantelamento
em curso das instalações e maquinaria da Fábrica do Açúcar de São
Miguel, propriedade da Sinaga”, tendo em conta “a relevância
histórico-cultural daquelas instalações centenárias, incluindo o seu
património móvel e o edificado”.A Fábrica do Açúcar foi instalada na freguesia de Santa Clara em 1906, tendo sido comprada pela Sinaga em 1969.A
extinção da antiga açucareira, na qual o Governo Regional tinha uma
participação de 51% desde 2010, e a integração dos seus 51 trabalhadores
na administração pública regional foram aprovadas a 28 de setembro na
Assembleia Regional.