Grupo de 75 líderes, ativistas, prémios Nobel e artistas prometem solidaridade a refugiados
Hoje 11:36
— Lusa/AO Online
“A Promessa”, como
foi denominada, reúne figuras como os atores e cineastas Cate
Blanchett, Angelina Jolie e Ben Stiller, a campeã olímpica e presidente
do Comité Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, os laureados
com o Prémio Nobel da Paz Malala Yousafzai, Nadia Murad, Denis Mukwege e
Ellen Johnson Sirleaf ou a arcebispa de Cantuária, Sarah Mullaly. Convocada
pelo alto-comissário da ONU para os Refugiados, Barham Salih, a
iniciativa visa construir uma coligação global de apoio à proteção dos
refugiados, que deverá funcionar até ao Fórum Global sobre Refugiados,
em 2027, altura em que deverá ser apresentada a estratégia global para
os refugiados da próxima década.Como
afirma o ACNUR em comunicado, os signatários de “A Promessa” reafirmam
os princípios da Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, criada em
1951, e o compromisso de proteger e possibilitar a reconstrução da vida
das pessoas que fogem de conflitos, violência ou perseguições.“A
Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados salvou milhões de vidas ao
longo das décadas. Está no cerne da nossa humanidade partilhada”,
afirmou Barham Salih, citado no comunicado.“Há
75 anos, o mundo fez uma promessa de proteger as pessoas forçadas a
fugir. A nossa responsabilidade agora é manter essa promessa viva, para
todas as gerações futuras”, acrescentou.Mais de 41 milhões de refugiados continuam deslocados à força em todo o mundo.À
medida que antigos conflitos persistem e novos eclodem, “os países de
acolhimento carregam uma imensa responsabilidade”, enquanto os sistemas
de asilo em muitos locais estão sobrecarregados e com poucos recursos,
lembra o ACNUR.Por isso, os signatários
desta declaração pedem um mundo onde “todos possam procurar segurança,
onde os refugiados sejam incluídos nas comunidades e as soluções para a
deslocação comecem desde as fases iniciais de cada crise”, envolvendo
todos os setores da sociedade.Forjada após
a II Guerra Mundial, a Convenção dos Refugiados de 1951 consagrou a
promessa de que cada pessoa, independentemente de quem seja ou de onde
venha, tem o direito de procurar e usufruir de segurança contra a
perseguição.Inicialmente restrita à Europa, foi complementada, em 1967, como um protocolo que alargou o seu âmbito a todo o mundo.Atualmente
continua a ser a base da proteção dos refugiados, definindo quem
integra este conceito, delineando os direitos e a ajuda a que têm
direito e estabelecendo normas internacionais para a sua proteção.Apesar
disso, a sua premissa está ameaçada pelo colapso do financiamento
humanitário e por uma onda crescente de governos que rejeitam as pessoas
que procuram proteção, como alertou o Comité Internacional de Resgate
(IRC, na sigla em inglês), uma das maiores organizações
não-governamentais de ajuda humanitária do mundo.Atualmente,
149 países são signatários de pelo menos um dos dois documentos,
incluindo Portugal, que assinou a convenção restrita aos europeus em
1960, tendo, em 1976, passado a integrar plenamente o sistema
humanitário internacional.A agência da ONU
para os refugiados dá conta da existência de quase 118 milhões de
pessoas refugiadas ou deslocadas à força em todo o mundo, número que
representa um decréscimo face ao ano anterior, mas que ainda é
“dramaticamente elevado”.