Grupo Aeroporto do Pico satisfeito com reforço de ligações mas defende mais ambição
Hoje 17:02
— Lusa/AO Online
Num
comunicado de imprensa a propósito da operação da SATA para o verão
IATA 2026, o movimento de cidadãos refere, em concreto, o reforço da
rota Ponta Delgada/Pico/Ponta Delgada, que “é demonstrativo da enorme
procura entre o principal aeroporto açoriano e a maior infraestrutura
aeroportuária totalmente regional”.Por
outro lado, pela primeira vez, o Pico contará com seis voos semanais
diretos entre Lisboa e a ilha, durante o período de junho a setembro,
que apenas não se realizarão às terças-feiras, assinala.Para
o GAPix, “este reforço constitui um motivo de celebração” e representa
“um justo reconhecimento do crescimento sustentado da procura” e “um
passo decisivo rumo ao objetivo estratégico” de assegurar uma ligação
diária entre Lisboa e o Pico na época alta.Em
2025, refere o grupo, "a ilha montanha apresentou uma das taxas mais
elevadas das rotas territoriais, com 87% de ocupação no período entre
abril e outubro". O GAPix considera, no
entanto, que este crescimento deve ser acompanhado por “uma visão
estratégica mais ambiciosa” e defende que estão criadas as condições
para, "num horizonte próximo", ser ponderada a abertura de uma ligação
aérea direta entre o Porto e o Pico, para "dar resposta à procura
existente, designadamente no Norte de Portugal". O
grupo alerta, contudo, que o número mínimo de frequências territoriais
previsto para o Pico no verão IATA, conforme definido nas Obrigações de
Serviço Público (OSP), "é manifestamente insuficiente face à procura
real". "A rota Lisboa/Pico/Lisboa
transporta anualmente mais de 52 mil passageiros, apresenta uma taxa de
ocupação anual de 85% e dispõe de seis ligações semanais na época alta,
enquanto as OSP exigem apenas 20 mil lugares anuais e duas frequências
semanais", aponta.Acrescem ainda
constrangimentos operacionais, evidenciados pela “recusa da TAP em
concorrer à rota do Pico, invocando a limitação da pista e a
inexistência de tripulações certificadas para operar em pistas curtas”,
segundo o grupo, que reitera a reivindicação de ampliação da
infraestrutura aeroportuária.O grupo
alerta que atualmente a ilha “permanece dependente da Azores Airlines”
para assegurar ligações ao exterior da região com aeronaves A320 ceo,
"uma dependência que se torna particularmente preocupante face ao
processo de privatização da companhia" açoriana, cujo desfecho "poderá
conduzir ao cumprimento estrito dos mínimos estabelecidos nas OSP".Nesse
cenário, o Pico poderá ficar limitado "a apenas 20 mil lugares anuais e
duas frequências semanais", o que, no entender do Grupo Aeroporto do
Pico, coloca "em causa os interesses económicos e sociais, bem como a
mobilidade de residentes e visitantes". O
grupo defende que é urgente proceder à revisão e reformulação das
Obrigações de Serviço Público, de modo a adequá-las "à realidade atual e
às necessidades" da ilha do Pico.