Greve inédita mobiliza até 100 mil enfermeiros no Reino Unido
15 de dez. de 2022, 16:04
— Lusa/AO Online
A paralisação foi convocada pelo
sindicato Royal College of Nursing (RCN), a primeira em 106 anos de
história, para exigir um aumento salarial de 19% para compensar uma
perda de poder de compra em 20% desde 2010.O
Governo britânico considera este valor “incomportável” e dispôs-se a
cumprir a proposta de um organismo independente de revisão da
remuneração no serviço de saúde público (NHS, na sigla em inglês), que
apontava para um aumento de 4,75%. A greve
foi anunciada em 53 unidades de saúde em Inglaterra, cerca de 25% do
total, 12 no País de Gales e 11 na Irlanda do Norte, mas em algumas
regiões não teve o apoio da maioria dos filiados do RCN. Na Escócia, a greve não se realizou porque o RCN chegou a um acordo para aumentos salariais.Nem o RCN nem o Ministério da Saúde britânico responderam ao pedido de dados sobre a participação concreta e impacto da greve. A
secretária de Estado da Saúde, Maria Caulfield, que no passado também
exerceu a profissão de enfermeira, disse à estação britânica Sky News
que até 70 mil consultas e operações poderão ser canceladas hoje.Porém,
o sindicato garantiu que alguns serviços estão protegidos, como
emergências e cuidados intensivos, bem como tratamentos de quimioterapia
e diálise.Uma sondagem da empresa Ipsos
publicada na quarta-feira indicava que 52% dos britânicos apoiam as
greves dos funcionários do serviço de saúde público, cujo acesso
universal e gratuito é bastante valorizado.Na memória dos britânicos está ainda o papel e dedicação dos profissionais de saúde durante a pandemia de covid-19.“Estamos
convosco”, afirma na manchete o tabloide Daily Mirror, conotado com a
esquerda, aos enfermeiros, enquanto o “Daily Express”, de direita,
também mostra apoio, colocando na primeira página a frase: “Cheguem a
acordo com os enfermeiros e acabem com esta loucura”.