Greve geral antes de esgotada a negociação é negativa para diálogo
14 de nov. de 2025, 13:02
— Lusa/AO Online
“O
anúncio, neste momento, de uma greve geral, introduz entropia num
processo que está longe de estar esgotado, o que é negativo no entender
da CCP para um processo de diálogo tripartido”, defendeu a confederação,
em comunicado.A CCP sublinhou que as duas
centrais sindicais – CGTP-IN e UGT – que avançaram com uma greve geral
para dia 11 de dezembro, têm “toda a legitimidade” para o fazer, “apesar
do claro prejuízo que a mesma acarreta para cidadãos e empresas”, mas
decretá-la neste momento já é, para a confederação, “menos razoável”.“Desde
o início das discussões, a Confederação sempre mostrou disponibilidade
para, em sede de Concertação Social, negociar soluções que possam
merecer a concordância das três partes; Governo, empregadores e
sindicatos”, apontou, considerando que “só dessa forma” entende ser
possível “facilitar o processo de aprovação no parlamento e garantir
maior estabilidade futura às soluções propostas”.A
CCP considerou que o anteprojeto do Governo de reforma da legislação
laboral tem potencialidades para introduzir flexibilidade no mercado de
trabalho, “sem configurar uma rutura” no modelo de relações laborais, e,
assim, melhorar a “resiliência das empresas e dos empregos num momento
que começam a existir sinais de dificuldades em muitos setores, seja
pela conjuntura internacional, seja pelas transformações tecnológicas em
curso”.No entendimento da CCP, é
fundamental que se retomem as reuniões em sede de Concertação Social,
para que se discutam “soluções concretas com base no anteprojeto
apresentado”.A greve geral foi anunciada pelo secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, no final da
marcha nacional contra o pacote laboral, que levou milhares de
trabalhadores a descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa, em protesto
contra as alterações propostas pelo Governo de Luís Montenegro.Após
o anúncio da greve, os manifestantes mostraram apoio à paralisação de
24 horas ao entoar "o ataque é brutal, vamos à greve geral”.A UGT aprovou por unanimidade a decisão de avançar em
convergência com a CGTP, incluindo, assim, o voto favorável dos
Trabalhadores Social-Democratas (TSD).Esta
será a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais, desde
junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da
'troika'.A ministra do Trabalho, Rosário
Palma Ramalho, considerou que o anúncio da greve geral pela UGT "é
extemporâneo" dado que o anteprojeto de revisão laboral está a ser
discutido, mas avisou que o "Governo não está disponível para retirar
toda a proposta”.O anteprojeto do Governo,
que está a ser debatido com os parceiros sociais, prevê a revisão de
“mais de uma centena” de artigos do Código de Trabalho.As
alterações previstas na proposta, que o Governo apresentou a 24 de
julho como uma revisão “profunda” da legislação laboral, visam desde a
área da parentalidade (com alterações nas licenças parentais,
amamentação e luto gestacional) ao trabalho flexível, formação nas
empresas ou período experimental dos contratos de trabalho, prevendo
ainda um alargamento dos setores que passam a estar abrangidos por
serviços mínimos em caso de greve.