Greve em França ameaça paralisar Paris e outras grandes cidades
10 de nov. de 2022, 11:37
— Lusa/AO Online
Cerca de 12
milhões de pessoas deslocam-se diariamente na região parisiense através
dos transportes públicos e muitos meios de comunicação social apelidam
já esta quinta-feira de "um dia negro".Desde
a greve de final de 2019, quando os transportes em Paris estiveram
encerrados por mais de um mês, que uma paralisação geral não perturbava
tanto a capital francesa. Desde logo,
apenas duas linhas de metro estão a funcionar plenamente, já que são
automáticas, com cinco outras linhas a estarem completamente encerradas e
as restantes a funcionarem apenas às horas de ponta, segundo a imprensa
francesa. Os comboios suburbanos também
vão ter uma circulação muito reduzida, assim como os elétricos de
superfície. Apenas dois em três autocarros devem circular.Os
trabalhadores da empresa RATP, que gere os transportes públicos em
Paris, pedem um aumento dos salários, assim como do número de
trabalhadores. O facto de o antigo primeiro-ministro francês, Jean
Castex, ter assumido funções à frente desta empresa pública não ajudou
as negociações, assim como a intenção de abrir as linhas de autocarros à
concorrência até 2025. Estas paralisações
nos transportes públicos estendem-se também a Nice, Estrasburgo e
outras cidades francesas, onde o aumento do custo de vida se faz sentir
especialmente desde o início da guerra na Ucrânia. Quanto
aos comboios de longo curso, não se esperam grandes perturbações,
havendo alguns trajetos regionais em que a frequência será reduzida. Por
detrás desta greve, a CGT, uma das maiores centrais sindicais do país,
continua a ter reivindicações como o aumento do salário mínimo para
2.000 euros brutos e a indexação dos salários à inflação, algo que
acontecia em França até 1983. Outra das
motivações desta greve é a reforma do sistema de pensões, com o Governo a
apresentar o seu projeto no início de 2023, sendo já certo o aumento
gradual da idade da reforma até 2025.Quanto
aos outros setores, prevê-se que muitas cantinas escolares vão estar
fechadas, assim como as atividades de tempos livres nas escolas
públicas, que permitem aos pais franceses irem buscar os filhos mais
tarde. Também os transportes escolares serão perturbados.