Greve em empresas privadas e IPSS com forte adesão nos Açores
7 de jun. de 2024, 15:37
— Lusa/AO Online
O
Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras,
Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços,
Hotelaria e Turismo, Transportes e Outros Serviços dos Açores
(SITACEHTT/Açores) convocou greves para esta sexta-feira, em várias empresas privadas
da ilha Terceira e em instituições de solidariedade social (IPSS) da
região, exigindo a redução do período normal de trabalho máximo para 35
horas semanais.Vítor Silva, do
SITACEHTT/Açores, adiantou à agência Lusa que a paralisação "teve um
forte impacto em relação às IPSS", tendo motivado "o encerramento de
muitas creches, de muitos jardins de infância e de muitos ATL’S",
centros de atividades de tempos livres."E,
mesmo no setor privado, os números são bastante animadores. É um
orgulho ver dezenas e dezenas de trabalhadores que, pela primeira vez,
aderiram a uma greve, incluindo jovens trabalhadores, o que é também um
bom sinal para o movimento sindical", sublinhou o sindicalista.As
paralisações foram marcadas para empresas como a Insco, o
Centro de Fabricação dos Açores, a Sportessence, a Emater, a Pronicol, a
Unicol, a Mobiazores e a Azores On Route (nestas duas últimas a greve
começou na quinta-feira).Segundo Vítor
Silva, "há empresas como a Pronicol que há mais de 20 anos que os
trabalhadores não aderiam a uma greve", enquanto no setor dos
transportes, na ilha Terceira, a adesão à greve está a ser "superior a
50%".O sindicalista realçou ainda "a
elevada participação dos trabalhadores" na manifestação organizada esta
manhã na Praça Velha, no centro de Angra do Heroísmo."A
participação de dezenas e dezenas de trabalhadores nesta concentração
demonstra bem a forma convicta, a determinação e a vontade que têm na
luta pelas 35 horas", vincou.Em
declarações à Lusa, Vítor Silva reforçou que "foram os trabalhadores que
solicitaram ao sindicato, em diversas empresas do setor privado na ilha
Terceira e também em relação às IPSS, a convocação da jornada luta para
reivindicar o horário das 35 horas e aumentos salariais dignos".Durante
o mês de maio, o SITACEHTT "tinha em vigor 11 pré-avisos de greves",
assinalou o sindicalista, para quem este "é um primeiro passo num
caminho longo" para se alcançar "as 35 horas para todos os trabalhadores
dos Açores independente de serem do setor público ou privado".No
setor das creches, jardins-de-infância, ATLS e das Instituições
Particulares de Solidariedade Social, a situação "é ainda mais grave"
porque "há colegas numa mesma sala em que um faz 39 horas e outro 35
horas e chegam ao fim do mês e ganham a mesma coisa", denunciou Vítor
Silva.O SITACEHTT/Açores refere que o
arquipélago é “uma das regiões da União Europeia onde se trabalha mais
horas por semana”, considerando a redução do período normal de trabalho
máximo para as 35 horas semanais uma reivindicação “possível, justa e
necessária”.“O prolongamento generalizado e
a constante irregularidade dos horários e tempos de trabalho são
incompatíveis com a necessária conciliação da vida profissional com a
vida pessoal. O alargamento e a desregulação dos horários de trabalho
são dos principais problemas com que hoje se debatem os trabalhadores”,
salienta o sindicato.