Greve dos trabalhadores portuários põe em risco indústria agroalimentar
29 de dez. de 2022, 17:33
— Lusa/AO online
“A
manter-se, a greve dos trabalhadores das administrações portuárias
coloca em causa o normal funcionamento da indústria agroalimentar, setor
para o qual os portos do Continente [português], Madeira e Açores são a
porta de entrada de matérias-primas no país”, diz a Fipa em comunicado.Além
disso, a paralisação “compromete a exportação de bens” e o “cumprimento
de prazos de entrega” de encomendas, situação que coloca em causa
“relações futuras com o exterior”.A Fipa,
no entanto, reconhece que a “greve é um direito fundamental dos
trabalhadores”, mas alerta para o facto de estar já a “afetar o
fornecimento e consumo de bens essenciais”, bem como a trazer “prejuízos
incalculáveis e duradouros” para as empresas e para os seus
trabalhadores.E prossegue: “O risco de rutura no abastecimento de algumas matérias-primas para alimentação é já uma realidade”.Assim,
e face à situação, e caso não se encontre solução imediata para este
conflito laboral, a Fipa entende que “devem ser revistos e assegurados
de imediato os serviços mínimos”, uma vez que atualmente “não comportam a
descarga de matéria-prima de bens alimentares essenciais”.O
presidente da Fipa, Jorge Henriques, citado no comunicado, recorda que
“é pelo diálogo que têm de ser resolvidas as questões laborais”. As greves, realça, “só servem para destabilizar, ainda mais, a economia e sobretudo as empresas”.A
Fipa lembra também que as empresas têm hoje pela frente uma “difícil
prova de sobrevivência”, que passa por “saber gerir num contexto de
inflação e instabilidade”, nunca experimentado pelas “gerações no
ativo”.O Sindicato Nacional dos
Trabalhadores das Administrações Portuárias (SNTAP) convocou uma greve
de vários dias, que começou em 22 de dezembro e se prolonga até 30 de
janeiro e abrange os portos do continente, Madeira e Açores.De
acordo com o documento enviado ao Governo, secretarias regionais e
administrações portuárias, os trabalhadores dos portos do continente e
da Madeira vão estar em greve “das 00:00 do dia 22 de dezembro até às
24:00 do dia 23 de dezembro”, “das 00:00 do dia 27 de dezembro até às
24:00 do dia 29” e “das 00:00 às 24:00 dos dias 02, 06, 09, 13, 16, 20,
23, 27 e 30 de janeiro”.