Greve dos trabalhadores da administração pública com bons números de adesão

Hoje 13:37 — Lusa/AO Online

Em declarações à agência Lusa, Cristina Torres explicou que “a maioria dos locais de trabalho está [com adesão à greve] acima dos 60%”, sobretudo nos distritos de Lisboa e Setúbal.“Temos bons dados dos locais de trabalho, um ou outro com menos adesão. Acabei agora de saber, por exemplo, que em Tomar o mercado e o arquivo estão encerrados”, disse a presidente do STAL.Para a responsável, a greve tem impacto, sobretudo, nos locais de equipamentos de atendimento aos cidadãos, tanto na administração central como na administração local, nomeadamente na recolha de lixo e nas escolas, entre outros serviços.De acordo com Cristina Torres, dados mais concretos da adesão só serão conhecidos na próxima semana, lembrando que muitos trabalhadores de outros pontos do país estão a deslocar-se à capital para a concentração na Praça da Figueira, pelo que não conseguiram reunir todos os dados.“Agora, hoje o que temos, é o Barreiro, Almada, Sesimbra, Loures, Vila Franca de Xira e Évora, no conjunto dos municípios do distrito de Lisboa e Setúbal, e incluo aqui Évora onde a jornada de trabalho destes trabalhadores arranca muito cedo, às 21:00, e foram os primeiros dados que tivemos, que foram acima dos 90%”, afirmou.Dos motivos que levaram à greve de hoje, Cristina Torres sublinhou que, além do “problema da valorização dos salários, há a questão das profissões”, considerando os assistentes operacionais, que “são pintores, motoristas de pesados, condutores de equipamentos especiais, serralheiros, carpinteiros, jardineiros, condutores de transportes de passageiros de transportes coletivos municipais”.Segundo a sindicalista, são “cerca de 350 mil trabalhadores que desde 2008 foram remetidos para três ‘alguidares’ de profissões, de conteúdos funcionais”, nomeadamente Técnico Superior, Assistente Técnico e Assistente Operacional.“Nós precisamos ver valorizadas as carreiras, as profissões destes trabalhadores”, disse.Os primeiros serviços de recolha noturna e higiene urbana estiveram encerrados nos municípios da Moita, Palmela e Seixal, com elevada adesão em Évora (99%) e Amadora e Almada (78%) devido à greve.Em comunicado, o STAL deu conta dos dados relativos ao período noturno, considerando que os dados até então refletiam o “profundo descontentamento dos trabalhadores das carreiras gerais da Administração Pública, que continuam a ser confrontados com a desvalorização das suas profissões, carreiras e salários”.A jornada nacional de luta foi convocada, além do STAL, pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) e pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML).Na nota, o STAL considerou que, “sob o pretexto da ‘polivalência’, os sucessivos governos do PS e do PSD/CDS promoveram o nivelamento salarial por baixo, ‘empurrando’ milhares de profissionais qualificados para valores salariais próximos do salário mínimo nacional”.Para o sindicato, “é urgente avançar para uma revisão profunda do atual modelo de carreiras, recuperando uma estrutura que reconheça a diversidade das profissões existentes na Administração Pública e permita valorizar efetivamente quem trabalha, reivindicação que deve caminhar lado a lado com a revogação do SIADAP e a criação de mecanismos de progressão e promoção que permitam uma verdadeira valorização profissional”.Desta forma, a FNSTFPS, o STAL e o STML, “recusando a estagnação, a perda de poder de compra, a precarização das perspetivas profissionais e a desvalorização das competências dos trabalhadores, exigem a revisão das carreiras (…), a valorização de todas as profissões existentes na Administração Pública (…), uma estrutura de carreiras que permita aos trabalhadores entrar, progredir e chegar ao topo da sua carreira, com regras claras, transparentes e justas e o fim da utilização abusiva da polivalência funcional como instrumento de desvalorização profissional”.Pretendem, também, que “a experiência, a formação, a responsabilidade e a especialização tenham tradução concreta na carreira e na remuneração”.