Greve dos técnicos superiores de diagnóstico dos Açores com adesão a rondar 100%
8 de jul. de 2020, 11:15
— LUSA/AO online
"Há adesões a rondar os 100%, nomeadamente nas
ilhas do Faial, Pico, São Jorge, no Hospital da ilha Terceira, assim
como em Santa Maria e Graciosa, ilhas mais pequenas, onde a paralisação
também ronda os 100%. Em São Miguel sabemos que há também uma grande
adesão, mas não temos nesta altura números concretos", disse Carla
Silva, dirigente na região do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores
de Saúde (STSS) das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica. A
greve foi convocada por uma frente sindical composta por quatro
sindicatos, entre eles o STSS, o Sindite, um sindicato exclusivo da
classe, o Sindicato dos Fisioterapeutas, e o Sintap (Sindicato dos
Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins
Públicos)."Os colegas uniram-se neste
objetivo comum de mostrar ao Governo dos Açores o descontentamento por
aquilo que está a ser feito aos profissionais desta classe", sublinhou
Carla Silva, em declarações à agência Lusa, garantindo que "os serviços
mínimos estão a ser assegurados" na região.A
dirigente sindical frisou que, apesar dos números de adesão serem
"muito elevados", o objetivo destes profissionais são as concentrações
em várias ilhas do arquipélago que vão decorrer esta manhã como "forma
de mostrarem a sua revolta face à situação", protestos que vão decorrer
entre as 11:00 e as 13:00.As concentrações
estão programadas para as ilhas do Faial (em frente à Assembleia
Legislativa Regional, com a presença do vice-presidente do STSS,
Fernando Zorro), em São Jorge (em frente à representação da Assembleia
Legislativa), na Terceira (junto à Secretaria Regional da Saúde), em São
Miguel (em frente ao Palácio de Santana, presidência do Governo
Regional) e em Santa Maria, perto da Unidade de Saúde da Ilha."Estamos
do lado dos utentes do Serviço Regional de Saúde. Queremos mostrar quem
somos como profissionais na área de diagnóstico e terapêutica, pois
temos grandes grupos como a radiologia, as análises clínicas, a
cardiopneumologia, as fisioterapias, entre outras. Mas, aquilo que o
Governo Regional nos está a impor é uma transição feita de forma
desigual" em relação a outras carreiras da função pública, sustentou a
dirigente sindical.O Sindicato sublinha
que estes profissionais "querem ver as suas carreiras descongeladas na
nova tabela salarial, independentemente do vínculo laboral, em vez de
descongelarem na antiga tabela".Os
Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica dos Açores defendem,
por exemplo, que devem ser "reestruturadas as carreiras em três
categorias" e exigem a alteração ao Decreto-Lei 25/2019, de 11 de
fevereiro, para que este que contenha transições justas para os TSDT nas
três categorias da carreira e uma grelha salarial equiparada a outras
carreiras da Administração Pública, com o mesmo nível habilitacional e
profissional". O STSS espera que nos
Açores, à semelhança do que aconteceu na Madeira, o acordo possa ir além
do que aconteceu no continente” e reivindicam "negociações para a
revisão da carreira".De acordo com o
sindicato, "em fevereiro", em reunião com a secretária regional da Saúde
dos Açores, Teresa Machado Luciano, "as estruturas sindicais
representativas do setor procuraram encontrar soluções que vão ao
encontro de uma maior equidade entre profissionais, tendo ficado aberta a
possibilidade de negociação destas matérias". Carla Silva disse ainda à Lusa que existem também assimetrias entre os hospitais e as unidades de saúde da região.Nos
hospitais açorianos (localizados em São Miguel, Terceira e Faial) "já
foi aplicada a nova tabela salarial e nas unidades de saúde isto ainda
não aconteceu", apontou, acrescentando que "nos Açores os profissionais
que estão em contrato individual de trabalho não são incluídos neste
processo de transição da carreira".Nos
Açores estão "a trabalhar na função pública cerca de 380 profissionais"
técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, que estão atualmente
"em oito" das nove ilhas do arquipélago, segundo o sindicato.