Greve dos técnicos de operações aeroportuárias das Lajes provoca cancelamentos de voos
31 de dez. de 2019, 07:17
— Lusa/AO Online
“Tivemos algum impacto, embora esse impacto
tenha sido um pouco ofuscado pela greve dos tripulantes de manutenção de
aeronaves da SATA e também pelas condições climáticas que afetaram
muitos voos”, adiantou, em declarações à Lusa, o delegado do Sindicato
dos Trabalhadores da Administração Pública e Entidades com Fins Públicos
(Sintap), Amílcar Martins.A greve dos
técnicos das operações aeroportuárias da Aerogare Civil das Lajes, na
ilha Terceira, nos Açores, iniciou-se no dia 04 de dezembro e estende-se
até o último dia do ano, englobando apenas as horas extraordinárias, ou
seja, o período entre as 21h00 e as 07h00.As
operações das companhias aéreas foram ajustadas para o período entre as
07h00 e as 21h00, mas os atrasos ao final do dia têm obrigado ao
cancelamento de voos, já que, segundo o Sintap, a adesão à greve foi de
100%.Pelas contas de Amílcar Martins,
neste período de greve foram cancelados “cerca de uma dúzia ou talvez
mais” de voos, sobretudo ligações do continente português, da Ryanair e
da TAP, e escalas técnicas.No entanto, a
diretora da Aerogare Civil das Lajes, Isménia Alves, disse que desde o
dia 23 foram cancelados apenas quatro voos, dois inter-ilhas, com
partida de Ponta Delgada (São Miguel), um Lisboa-Terceira e uma escala
técnica. “É uma avaliação difícil de
fazer, porque vários aeroportos nacionais estão em greve e os voos podem
ser afetados ora por umas ora por outras, ora pelas companhias aéreas,
porque houve companhias aéreas que também estiveram em greve. No
entanto, por aquilo que nos apercebemos, afetou, de 23 até agora, quatro
voos”, afirmou. Ao contrário do que
acontece nos aeroportos de Ponta Delgada (São Miguel), Santa Maria,
Horta (Faial) e Flores, nos Açores, geridos pela ANA - Aeroportos de
Portugal, a Aerogare Civil das Lajes, na ilha Terceira, tem gestão
pública.Os cinco técnicos de operações
aeroportuárias no quadro da Aerogare Civil das Lajes reivindicam uma
revisão da carreira e o reforço do efetivo, alegando que deviam estar
nove pessoas no quadro.A carreira dos
técnicos de operações aeroportuárias foi classificada como subsistente, o
que “impossibilita o recrutamento de mais pessoas”, mas com a
certificação do aeroporto para uso permanente pela aviação civil, em
julho de 2018, o trabalho aumentou e os funcionários, que têm todos mais
de 50 anos, dizem sentir “algum desgaste”.O
Sintap já anunciou um novo pré-aviso de greve às horas extraordinárias
para o período entre 04 de janeiro e 31 de março, o que segundo Amílcar
Martins resulta da falta de abertura do Governo Regional para negociar. “Sentimo-nos
um bocado desprezados, porque a senhora secretária dos Transportes
afirmou, em lugar público, que desconhecia o nosso problema. Nós
enviámos sempre comunicados por escrito a pedir audiência”, frisou. O
delegado sindical disse esperar que a próxima greve “sensibilize alguém
do Governo, que tenha capacidade de decisão” e apelou ao executivo para
que “não deixe para cima da época alta a solução deste problema”,
lembrando que o tráfego é maior a partir de abril.A
Lusa contactou fonte da Secretaria Regional dos Transportes e Obras
Públicas dos Açores, que remeteu esclarecimentos sobre as negociações
com o sindicato para a Direção Regional da Organização e Administração
Pública, que por sua vez remeteu esclarecimentos para a tutela dos
Transportes.