“O panorama geral é de mais ou menos 70% [até
às 12h00 de hoje, menos uma nos Açores]. Há sítios com mais adesão e sítios com menos, mas
ainda nos faltam alguns dados (…). É uma adesão bastante forte, o que é
significativo tendo em conta a revolta que os médicos sentem”, disse
Joana Bordalo e Sá à agência Lusa.A agência Lusa contactou o Ministério da Saúde tutelado por Ana Paula Martins que para já não quis reagir.A
Fnam iniciou uma greve geral de dois dias, bem como uma
paralisação ao trabalho suplementar nos cuidados de saúde primários até
31 de agosto, acusando a tutela de “intransigência e inflexibilidade”.Garantindo
que os serviços mínimos estão a ser cumpridos e salvaguardando que
ainda aguarda dados do Algarve, Ilhas, Alentejo, Vila Real, entre outras
regiões, Joana Bordalo e Sá voltou a acusar o Ministério da Saúde de
ser o responsável pela greve.“Não queremos
entrar na guerra dos números. O que é realmente importante e aquilo que
o Ministério da Saúde devia refletir é que cada consulta ou cirurgia
adiada causa um transtorno na vida dos doentes. O responsável é o
Ministério da Saúde que nada faz para garantir mais médicos no SNS”,
disse a presidente da Fnam.De acordo com
os dados já apurados, na região Centro, a adesão ronda os 80% nos
cuidados de saúde primários, enquanto nos Hospitais Universitários de
Coimbra, a Neuropediatria e a Anestesia fechou a 100%.No Hospital dos Covões, também em Coimbra, a Medicina Interna regista uma adesão de cerca de 90%.A Norte, o bloco operatório do Hospital Padre Américo, em Penafiel, “só tem uma sala a funcionar”, disse a dirigente sindical.No
Hospital de São João, no Porto, “o bloco central parou a 100% de manhã,
o bloco da neurocirurgia parou em 75% e a obstetrícia a 66%”.Em Viana do Castelo, o bloco central do hospital “também parou a 100% e só funcionou para cirurgias urgentes”.Segundo
a Fnam, no Hospital de Braga foram fechadas nove salas em 11, o que
corresponde a 82% de adesão à greve neste departamento.Enquanto no IPO do Porto “só se estão a realizar cirurgias classificadas como urgentes”.No Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, a adesão no serviço de Medicina Interna é de 50%.Mais a sul, o bloco geral do Hospital dos Capuchos, em Lisboa, regista 60% de adesão.Entre
as reivindicações da Fnam está a reposição do período normal de
trabalho semanal de 35 horas e a atualização da grelha salarial, a
integração dos médicos internos na categoria de ingresso na carreira
médica e a reposição dos 25 dias úteis de férias por ano e de cinco dias
suplementares de férias se gozadas fora da época alta.A
Fnam tem hoje concentrações agendadas no Porto, junto ao Hospital São
João, em Coimbra, no Hospital Geral dos Covões, e em Lisboa, em frente
ao Hospital de Santa Maria.