Greve dos guardas de Vale de Judeus prolonga-se até final de agosto
Hoje 11:46
— Lusa/AO Online
O
presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP),
que decretou esta greve e que já teve vários adiamentos, disse à agência
Lusa que a paralisação com fim previsto para esta terça-feira vai prolongar-se até
31 de agosto porque se mantém a falta de condições de segurança que
levaram à fuga de cinco reclusos em 2024, entretanto recapturados.Segundo
Frederico Morais, parte das reivindicações não foi cumprida, uma vez
que ainda não foi iniciada a colocação das novas redes de segurança dos
pátios e o concurso para a construção das duas torres de vigilância não
teve resposta de interessados.O
sindicalista acrescentou que também não foram resolvidas questões como o
excesso de atividades consideradas desnecessárias e a reestruturação
dos horários de funcionamento daquele estabelecimento prisional em
Alcoentre, distrito de Santarém.Frederico
Morais referiu que “a única alteração que está quase terminada é a dos
inibidores de sinal [eletrónico, para inibir telemóveis e drones, entre
outros), mas que a programação terá sido mal feita e o processo terá de
ser programado novamente”.“Estão cá as
peças todas, vindas de Israel, só que segundo informações que chegaram
ao sindicato, o processo foi mal programado e agora terá de ser
repetido”, vincou.O dirigente sindical
adiantou que, passados quatro meses do início da greve, apenas foram
concluídas a iluminação e a limpeza da mata em redor da cadeia. De
acordo com o sindicato, a greve continuará a ser total, com serviços
mínimos decretados, não tendo os reclusos atividades (não estudam, nem
trabalham), com horário de pátio reduzido e a terem que ficar nas
respetivas celas 22 horas por dia. A
redução dos horários de pátio mantém-se como uma das reivindicações
desta greve, à semelhança daquilo que aconteceu na cadeia do Linhó, onde
os reclusos sem atividades viram os seus horários reduzidos.
O dirigente sindical acrescentou que apesar dos mais de 90% de adesão
à greve, a cadeia de Vale de Judeus “tem estado a funcionar”, uma vez
que redução dos horários dos reclusos e o desfasamento das idas aos
pátio, permite o controlo por menor número de guardas prisionais, que
também têm prestado trabalhos de vigilância/controlo às obras em curso.
O número de visitas também foi reduzido para todos os presos, que
“passam a ter só uma por semana”, acrescentou na altura o SNCGP,
referindo que a greve terá tido impacto nas idas dos reclusos a
consultas e a tribunal.Entretanto, após um
pedido do sindicato de arbitragem para definição dos serviços mínimos, a
Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) “emitiu um
parecer onde mantém todas as condições desta greve” pedidas pelo SNCGP,
apesar do pedido de alterações feito pela Direção-Geral de Reinserção e
Serviços Prisionais (DGRSP).De acordo com a
mesma fonte, a DGRSP queria mais atividades a decorrer durante a greve,
como as visitas íntimas e o esquema de visitas, mas o sindicato
considerou tratar-se de uma violação dos direitos dos trabalhadores”.