Greve ao trabalho suplementar na PJ avança a 01 de abril se não houver regulamentação
24 de jan. de 2023, 09:17
— Lusa/AO Online
Em declarações à
Lusa, a presidente da Associação Sindical dos Funcionários da
Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC/PJ), Carla Pinto,
alerta que a ausência de regulamentação do trabalho realizado entre as
17:30 e as 09:00 “é um problema que existe na PJ há mais de 20 anos”,
sublinhando que este trabalho deve ser devidamente remunerado e alvo de
um escalamento prévio dos inspetores/especialistas de polícia científica
(EPC).“Neste momento não estamos em
greve, a greve será a partir de 01 de abril, caso não existam
negociações. O que estamos a fazer é que em operações pré-agendadas a
pessoa seja colocada de prevenção ou piquete para trabalhar, que é o que
a lei diz. A partir de 01 de abril, caso não haja uma resolução do
problema, é sinal de que já não existirá a tempo de ser regulamentado
para 2024. Ou seja, já passará para 22 anos de atraso”, disse.Carla
Pinto recorre ao exemplo pessoal para explicar como a remuneração por
hora dos inspetores da PJ em trabalho suplementar acaba por se processar
abaixo do salário mínimo nacional. “Vou
trabalhar 24 horas no próximo sábado e esse serviço que vou realizar
será pago a 3,68 euros/hora. A lei determina que há uma retribuição
mínima mensal garantida a nível nacional, que tem por base o salário
mínimo – e nós não auferimos o salário mínimo -, e essa mesma lei diz
que no mínimo o valor/hora tem de ser 4,65 euros. E eu vou receber 3,68
euros”, observou, sem deixar de notar que o valor/hora do trabalho
suplementar devia até ser majorado.Sem
concretizar valores, a presidente da ASFIC/PJ adiantou que o montante de
que a tutela precisa para fazer face a estes encargos deve ascender a
“alguns milhões de euros” e lembra que os inspetores têm colocado o
compromisso com os cidadãos à frente dos seus interesses.“Durante
20 anos os inspetores puseram o bem comum à frente do seu interesse
pessoal e 20 anos é tempo suficiente. Chegou a altura de as pessoas
baterem o pé, é insustentável continuar a trabalhar assim. É um problema
que tem interesse não só sindical, mas da própria direção nacional da
PJ. Tem que se ter noção da urgência na regulamentação deste problema”,
nota, acrescentando que está prevista uma reunião para fevereiro com a
tutela.“A ASFIC/PJ não está numa medida de
luta, até porque acreditamos que as negociações irão ocorrer e
esperamos que tenham sucesso. Agora, estamos a pedir o cumprimento da
lei, porque há 20 anos que esperamos por isto”, concluiu.Os
constrangimentos na atividade da Polícia Judiciária foram adiantados
hoje pelo Diário de Notícias, que citou fonte oficial da direção
nacional da PJ para garantir que as reivindicações dos inspetores estão a
ser acompanhadas com “empenho”.Segundo um
comunicado da ASFIC/PJ enviado hoje aos associados e a que a Lusa teve
acesso, o organismo sindical decidiu recusar desde sexta-feira “todo o
trabalho suplementar pré-agendado não estando o investigador/EPC
previamente escalado de piquete ou prevenção”. Já a partir de 01 de
março, haverá a “recusa a todo o trabalho suplementar” caso não haja a
regulamentação das portarias e, finalmente, a greve ao trabalho
suplementar após 01 de abril.