Grandes terramotos podem dar sinais detetáveis com meses de antecedência
29 de nov. de 2023, 19:20
— Lusa
O artigo,
publicado pela revista Nature Communications, analisa o sismo de
magnitude 7,8 registado em fevereiro passado na Turquia e na Síria, que
causou milhares de mortos, e indica que houve sinais que começaram cerca
de oito meses antes.Estes resultados
somam-se às evidências acumuladas de que “pelo menos alguns grandes
sismos apresentam uma fase de preparação que pode ser monitorizada e que
tem alguma semelhança com modelos teóricos e laboratoriais do processo
de falha”, sustentam os autores.A equipa
liderada pela Universidade de Potsdam, na Alemanha, descobriu que as
áreas afetadas pelo terramoto na Turquia e na Síria registaram uma
aceleração nas taxas de eventos sísmicos e um aumento na libertação de
energia a partir de cerca de oito meses antes, organizados em grupos num
raio de 65 quilómetros do epicentro.Embora
a rutura principal tenha ocorrido numa falha e numa região previamente
identificada como tendo potencial de risco sísmico muito elevado, os
sinais preparatórios ocorreram tanto naquela área como numa falha
secundária, que anteriormente tinha recebido pouca atenção.Alguns
grandes sismos podem apresentar uma fase de preparação monitorizáveis,
mas devido ao grande número de variáveis envolvidas, “com o estado atual
de conhecimento, o alerta sísmico a médio prazo – se possível –
permanece no futuro da sismologia”, frisaram os cientistas no estudo.Os
resultados destacam os desafios colocados pela deteção da fase de
preparação e do epicentro de grandes terremotos, sugerindo que seria
necessária uma compreensão completa dos fenómenos preparatórios para
desenvolver futuros sistemas de alerta.Uma
monitorização mais abrangente de terremotos, juntamente com registos
sísmicos de longo prazo, pode melhorar a capacidade de reconhecer
processos de preparação para terremotos a partir de outros sinais de
deformação regional.Os autores sugerem que
o desenvolvimento de sistemas de alerta sísmico exigiria mais redes de
deteção locais e regionais, bem como a monitorização de falhas
secundárias, que acompanham as principais falhas de rutura.