“Grande preocupação” com o fim de rotas para a ilha Terceira
9 de dez. de 2022, 11:16
— Paulo Faustino
A Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) encara com “grande
preocupação” o fim da operação da British Airways para a ilha Terceira e
o fim da rota para Londres da Ryanair, denunciando, por um lado, o
“desastroso trabalho promocional” das autoridades responsáveis pelo
turismo nos Açores e referindo, por outro, que São Miguel “não precisa
de mais voos”.“A ilha de São Miguel, e para grande satisfação de
todos os açorianos, não precisa de mais voos e muito menos que se
continuem a concentrar ligações aéreas nessa ilha oriundos do mesmo
mercado, dificultando o acesso dos turistas e residentes a outras ilhas e
ao exterior, prejudicando, assim, gravemente o desenvolvimento
turístico e consequentemente económico dos Açores”, pode ler-se num
comunicado da CCAH.A Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo
sublinha e alerta que a promoção dos Açores nos mercados considerados
prioritários, deve ser feita com “equidade, de forme uniforme e
potencialmente” considerando o posicionamento de todas as ilhas, tendo
presente que, dentro do mercado liberalizado, “o aeroporto da ilha
Terceira já mostrou ter capacidade para ajudar os Açores no seu
crescimento turístico. Falta agora os responsáveis técnicos e políticos
entenderem essa realidade (...)”.Para a estrutura liderada por
Marcos Couto, as rotas por si trabalhadas são um exemplo de “sucesso” e
demonstram que a ‘gateway’ da ilha Terceira pode contribuir para o
desenvolvimento turístico dos Açores. Todavia, os sinais que vêm de fora
“não são esses e são preocupantes, bem patente na constante
interferência política nos novos horários de inverno da SATA Air
Açores”. “Com o fim destas rotas, e sem que nada esteja previsto para
colmatar as mesmas, os empresários das Ilhas Terceira, Graciosa e São
Jorge veem com grande preocupação o próximo verão IATA e a defesa dos
inúmeros investimentos que têm feito nesta área, perspetivando o
desenvolvimento económico do grupo Central dos Açores”, frisa.Constatando
que as duas rotas perdidas pela Terceira foram para o aeroporto de
Ponta Delgada e que o apoio logístico disponibilizado pelas autoridades
do turismo na Região “foi escasso ou nulo” enquanto tais rotas estiveram
naquela ilha do Grupo Central, a CCAH não tem dúvidas: “não querem que a
Terceira e as restantes ilhas tenham as mesmas oportunidades de
desenvolvimento”.“A ideia de que, quando se proporcionam ligações
com o exterior para a Terceira, apenas beneficiamos esta Ilha, mas
quando tal acontece com São Miguel se está a beneficiar os Açores, tem
de ser rapidamente abandonada e dar lugar a uma diferente mentalidade e
união regional. Todos beneficiam todos. A falsa ideia de que os turistas
e as companhias aéreas não querem voar para qualquer outra ilha que não
São Miguel, já caiu. Falta agora a unidade regional”, salienta.A
CCAH diz-se disponível para, em conjunto com as entidades competentes,
serem criadas soluções que minimizem os impactos na próxima época
turística. “Esperava-se deste Governo sinais de mudança e
descentralização o que, preocupante e claramente, nesta área, não
aconteceu até ao momento”, remata.