Grande Prémio de Romance e Novela 2020 é entregue a Valter Hugo Mãe
19 de out. de 2021, 11:10
— Lusa/AO Online
A
cerimónia decorre na Fundação Calouste Gulbenkian,
em Lisboa, tem prevista a presença do secretário de Estado do Cinema,
Audiovisual e dos Media, Nuno Artur Silva, e esteve prevista para
setembro passado, mas foi cancelada devido à morte do ex-Presidente da
República Jorge Sampaio (1939-2021).O
prémio, promovido pela Associação Portuguesa de Escritores (APE), com o
apoio da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), tem
o valor pecuniário de 15.000 euros.Segundo
o júri, "Contra mim" foi "merecedor" do Grande Prémio de Romance e
Novela, "pela qualidade de construção narrativa, na cuidada arquitetura
do texto, e pela expressividade poética da linguagem, na poderosa
evocação de tempos e de lugares da infância", como a APE divulgou em
junho último, quando do anúncio do vencedor."Esta
escrita recria, sensível e ironicamente, o olhar comovido da criança,
na descoberta do mundo e das palavras, e nesse gesto de resgate podemos
ler a projeção de um autor a desenhar-se perante os seus leitores",
disse ainda o júri, que foi coordenado pelo poeta, ensaísta e tradutor
José Manuel de Vasconcelos, e constituído pelos professores,
investigadores, escritores e críticos literários António Pedro Pita,
Carlos Mendes de Sousa, Manuel Frias Martins, Maria de Lurdes Sampaio e
Rita Patrício.O escritor publicou,
recentemente um novo título, “As Doenças do Brasil”, uma “exuberante
aventura das palavras em busca da hipótese de paz”, segundo a editora.Trata-se
de "uma delicada visão de um Brasil passado" sujeito à "'fera branca'
quase exterminou os povos originários do Brasil", lê-se na apresentação
da obra. "Ao longo de séculos, os brancos mataram aqueles que não podiam
escravizar. A dada altura, em fuga, muitos negros encontraram ao acaso
os povos de peles vermelhas e tantas vezes o entendimento e a paz
aconteceram".Em “As Doenças do Brasil”,
Valter Hugo Mãe cria assim, para a literatura atual "duas figuras
inesquecíveis: Honra e Meio da Noite, rapazes peculiares que, ao abrigo
das aldeias gentis dos abaeté, estabelecem uma cumplicidade para certa
ideia de defesa".Honra é fruto da violação
de um branco a uma abaeté; cresce humilhado por uma pele clara, "que
diz não ser cicatriz daquele golpe porque é ferida". Mas "é sempre
ferida".Quanto a Meio da Noite, "negro,
rapaz fugido do jugo da escravidão, haverá de ser guerreiro noturno,
educado para os modos abaeté por Honra", acrescenta a sinopse. "Juntos
crescem e aprendem, 'os feios'. Juntos firmam um compromisso para uma
ideia de defesa da comunidade".O mais
recente romance do escritor, publicado no passado mês de setembro, é
assim "uma delicadíssima história de resistentes", "uma exuberante
aventura das palavras e da imaginação em busca da hipótese da paz",
"escrita com a violência e fascínio de um poema que busca o fulgor da
realidade", conclui a Porto Editora.