Grande maioria dos europeus defende alimentos sustentáveis mais baratos
22 de mai. de 2023, 18:20
— Lusa
Os resultados
foram divulgados no Dia Internacional da Biodiversidade, pela
Associação Natureza Portugal, que representa em Portugal a internacional
“World Wide Fund for Nature”, WWF, uma das maiores organizações de
conservação do mundo.No inquérito, no qual
os portugueses apontam as alterações climáticas como uma das cinco
questões que mais os preocupam, os europeus afirmaram que o custo dos
alimentos se tornou um fator de ansiedade, ultrapassando os custos com a
habitação.Seis em cada 10 entrevistados
citaram o preço como o principal obstáculo para consumir alimentos
sustentáveis. Mais de três quartos disse acreditar que os alimentos
sustentáveis devem custar menos, ou pelo menos não mais, do que os
alimentos que não são amigos do ambiente.Outros
dados do inquérito (respondido por quase 18.000 adultos) indicam que
75% dos entrevistados acreditam que os grandes fabricantes devem ser
responsáveis por garantir que os alimentos que vendem são produzidos de
forma sustentável. A maioria dos entrevistados diz que os fabricantes de
alimentos e retalhistas devem ser obrigados a reduzir suas emissões de
gases com efeito de estufa, comprar muito mais alimentos de produtores
sustentáveis, e que os retalhistas devem parar de anunciar os seus
produtos menos sustentáveis.Os
consumidores inquiridos consideram também que as cantinas públicas são
um bom ponto de partida para tornar os alimentos sustentáveis mais
acessíveis, nas quais pelo menos metade dos alimentos servidos deve ser
produzida de forma sustentável. “As
compras públicas de alimentos, que envolvem a compra de alimentos e
serviços relacionados para escolas, hospitais e universidades, raramente
priorizam o consumo de alimentos sustentáveis”, afirma a WWF.A
WWF nota que o sistema alimentar da União Europeia (UE) é responsável
por 31% das emissões totais de gases com efeito estufa, “e contribui
significativamente para o aumento de doenças não transmissíveis, como
cancro, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral e diabetes”,
doenças que representam 80% das doenças na UE.Comparando
com os habitantes dos outros países, segundo os dados do inquérito, os
portugueses são dos que mais defendem responsabilidades das cantinas
públicas na garantia de sustentabilidade dos produtos, sendo os
primeiros a afirmar que mais de metade desses alimentos devem ser
produzidos de forma sustentável.E também
se destacam na defesa de um aumento de fontes de proteína de origem
vegetal, reduzindo ao mesmo tempo as vendas de carne animal. Em relação
às questões mais importantes dos últimos 12 meses os portugueses estão
acima da média em relação às queixas com os custos da alimentação e da
habitação.Tiago Luís, coordenador de
Alimentação da ANPlWWF, nota que o estudo indica haver motivação para
hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis, mas que as pessoas têm
dificuldade em aceder a esses alimentos.Citado
no comunicado o responsável diz que os governos devem intervir no que
respeita aos preços a que os alimentos sustentáveis chegam aos
consumidores, parando de financiar a produção alimentar que não respeita
os limites do planeta. O inquérito foi feito em março e abril deste ano e incluiu além dos 11 países da UE o Reino Unido.Além
de Portugal os países da UE que participaram foram Áustria, Bélgica,
Estónia, Finlândia, França, Grécia, Suécia, Alemanha, Espanha e Polónia.